Portugal lidera a subida dos preços da habitação na UE e a Madeira sente-a
Portugal é o país da União Europeia onde os preços da habitação mais sobem. Segundo os dados do Eurostat divulgados a 8 de setembro, as casas ficaram 17,8% mais caras no primeiro trimestre de 2026 face a um ano antes, contra uma média de 5,1% na UE. Seguem-se Bulgária, Eslováquia e Croácia, à volta dos 14%.
Madeira a preços de capital, Açores abaixo
A Madeira é já a quarta zona mais cara do país: as casas vendidas no primeiro trimestre custaram uma mediana de 2.863 euros por metro quadrado, segundo o INE, contra 2.337 na média nacional. O Funchal chegou aos 3.601 euros, mais 23% num ano, a maior aceleração das grandes cidades. Os Açores continuam mais acessíveis, com 1.617 euros por metro quadrado, embora também subam.
Quem compra nas ilhas
O mercado insular tem três motores: o turismo, que transforma apartamentos em alojamento local; os emigrantes que regressam da Venezuela, da África do Sul ou do Canadá; e os estrangeiros que procuram clima e sossego. Na Madeira, quem tem domicílio fiscal fora de Portugal pagou 3.295 euros por metro quadrado, quase 500 acima de um residente. Nos Açores, empresas e fundos pagam mais do que as famílias, sinal de que chegou capital investidor. Entretanto, na Madeira as vendas caíram 24% num ano, sinal de que muitos compradores locais ficam de fora.
O que o Governo já fez
Em outubro de 2023, Portugal fechou os Vistos Gold por compra de casa (a autorização de residência em troca de um imóvel) com o pacote Mais Habitação. Os jovens até aos 35 anos que compram a primeira casa não pagam IMT, o imposto sobre a compra, até cerca de 330.000 euros; contam com garantia pública para financiar 100% do crédito; e pagam menos IRS com o IRS Jovem, uma redução nos primeiros anos de trabalho. Ajudam, mas acrescentam procura a um mercado onde faltam casas, e isso também empurra os preços.
O que esperar
Para um jovem do Funchal ou de Ponta Delgada, os apoios aliviam, mas não compensam uma subida de 17,8% ao ano. Vale a pena olhar para fora da capital e não assinar por medo de ficar de fora. Para quem compra do exterior, a Madeira já está a preços de grande cidade europeia e os Açores oferecem mais margem, mas menos liquidez. A referência mais próxima são as Canárias: mesmo modelo turístico, mesmo problema de acesso. As câmaras municipais têm a chave: terrenos públicos e controlo do alojamento local. Até chegar mais oferta, é de esperar novas subidas, embora menos intensas.



