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Madeira licencia 718 fogos no primeiro semestre, mas conclui menos obras

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

Madeira licencia 718 fogos no primeiro semestre, mas conclui menos obras
Viviendas y bloques de apartamentos en Caniço, en el municipio de Santa Cruz (Madeira). Foto: muffinn / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Madeira aprovou mais obras do que em qualquer ano recente, mas as gruas não acompanham o ritmo. Entre janeiro e junho de 2026 foram licenciados 330 edifícios, mais 19,1% do que um ano antes, e 718 fogos novos, mais 27,5%. Os edifícios concluídos, porém, recuaram 1,6%. Os dados foram divulgados a 11 de setembro pela DREM, a Direção Regional de Estatística da Madeira.

Licenciar não é entregar chaves

Uma licença é a autorização da câmara municipal para começar a construir. Entre esse papel e a casa pronta passam normalmente dois a três anos. Por isso, o salto nos licenciamentos fala do futuro, não do presente. E o presente é mais fraco: concluíram-se 188 edifícios, e os fogos acabados caíram para 414, menos 16,5% do que um ano antes. Três em cada quatro licenças são para construção nova, quase todas para habitação.

Porque é que as obras se arrastam

O fosso entre o que se aprova e o que se conclui tem três causas conhecidas em todo o país. Falta mão de obra, e as equipas vão para os trabalhos mais bem pagos. Os custos sobem: o custo do trabalho na construção cresceu cerca de 8% ao ano em 2024 e 2025. E numa ilha todo o material chega por mar, mais caro e mais lento. Muitas promoções licenciadas demoram mais do que o previsto a arrancar.

Madeira em contraciclo

Segundo o INE, no segundo trimestre de 2026 Portugal licenciou menos 7,1% de edifícios, com quedas fortes na Grande Lisboa e no Algarve. A Madeira foi a região que mais cresceu. A atividade concentra-se no Funchal e na sua coroa, Santa Cruz e Câmara de Lobos, e na Calheta, onde a procura estrangeira empurra. É aí também que os preços são mais altos: cerca de 4.900 euros por metro quadrado no Funchal e 4.800 na Calheta, contra 3.500 em Santa Cruz e 3.400 em Câmara de Lobos. A média regional, uns 4.400 euros, só é ultrapassada por Lisboa e pelo Algarve.

O que significa para quem procura casa

Para quem pensa comprar construção nova em 2027 ou 2028, há mais projetos em carteira do que há anos; convém acompanhar o calendário real de cada promoção, não só a data prometida. Para quem procura hoje, a mensagem é outra: enquanto os fogos licenciados não ficarem prontos, a oferta não cresce e os preços continuam pressionados. Às câmaras municipais cabe acompanhar as licenças com solo e habitação acessível. É de esperar uma entrega faseada: 2026 será curto em chaves novas e o alívio, se chegar, ver-se-á em 2027 e 2028.