Domingo 13 de Setembro de 2026 Habitação e imobiliário nas Canárias, Madeira, Açores e Cabo Verde

euroinmobiliaria®
Ilhas Canárias

Bruxelas vê tensão em 26 dos 30 grandes municípios das Canárias

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

Bruxelas vê tensão em 26 dos 30 grandes municípios das Canárias
Vista aérea de los hoteles y complejos de Costa Adeje, en el sur de Tenerife. Foto: Wouter Hagens / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Uma análise da Comissão Europeia divulgada a 9 de setembro de 2026 confirma o que muitas famílias das Canárias sentem todos os meses. Em 26 dos 30 municípios mais populosos das ilhas, comprar casa exige um esforço próprio de uma zona de mercado residencial tensionado. O caso extremo é Adeje, no sul de Tenerife, onde uma família precisaria de 24,5 anos de todo o seu rendimento para pagar uma habitação.

O que é uma zona tensionada

É uma área onde viver custa tanto que a lei permite às administrações intervir no mercado. Em Espanha basta cumprir um de dois critérios: a prestação da casa ou a renda, com as despesas básicas, consome mais de 30% do rendimento de um agregado médio, ou os preços subiram em cinco anos pelo menos três pontos acima do IPC, o índice que mede o custo de vida. A análise europeia usa uma medida mais direta: quantos anos de rendimento bruto custa uma casa. Com oito já há tensão; com dez ou mais, dá-se por provada.

Porque é que Adeje aparece tão acima

No conjunto de Espanha, comprar uma casa média exige cerca de oito anos de salário bruto. Em Adeje são 24,5, o triplo. O município vive do turismo e os seus habitantes concorrem no mesmo mercado com quem procura uma segunda residência ou um alojamento local, ou seja, uma casa arrendada a turistas à noite. Essa procura tem muito mais dinheiro do que um trabalhador de hotel e empurra os preços enquanto os salários locais mal crescem. As casas pagam-se a preço internacional com ordenados canários. Só Ingenio, Agüimes, Arrecife e Arucas ficam de fora da lista: localidades com mais peso residencial ou industrial, onde o preço ainda guarda relação com o que ganham os residentes.

O que mudaria com a declaração

Nas Canárias a decisão compete ao Governo regional, e Adeje espera resposta desde abril de 2024. Para quem arrenda, significaria um teto às subidas nos contratos novos e nas casas dos grandes proprietários, que em zona tensionada são quem tem cinco casas ou mais, e não dez. Para quem quer comprar, os preços não baixam de repente, mas as regras canárias impedem novas licenças de alojamento local nestas zonas, o que trava a conversão de apartamentos em alojamento turístico. Para a câmara municipal é a chave para exigir habitação a custos controlados e atuar sobre as casas vazias. Convém vigiar se o Governo das Canárias decide os pedidos pendentes antes do fim do ano e se o relatório de Bruxelas passa de diagnóstico a medidas.