Domingo 13 de Setembro de 2026 Habitação e imobiliário nas Canárias, Madeira, Açores e Cabo Verde

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Madeira: inflação abranda para 4,1% mas rendas sobem 6,9%

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

Madeira: inflação abranda para 4,1% mas rendas sobem 6,9%
Ropa tendida sobre los tejados de Câmara de Lobos, en Madeira. Foto: Otto Domes / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Os preços na Madeira subiram 4,1% em agosto face ao mesmo mês de 2025, segundo a DREM, a Direção Regional de Estatística da Madeira, que divulgou o dado a 10 de setembro. É menos do que os 4,7% de julho, mas continua acima de Portugal e da zona euro. E dentro do cabaz há duas rubricas que pesam diretamente nas famílias: a habitação e, sobretudo, a renda da casa.

Quase um ponto acima de Portugal e da Europa

O IPC, o índice de preços no consumidor, mede quanto muda o custo daquilo que uma família compra habitualmente. Portugal fechou agosto com uma inflação de 3,3%, segundo o INE, e a zona euro registou igualmente 3,3%, segundo o Eurostat. A Madeira fica quase um ponto acima.

Não é por acaso que as ilhas pagam mais. A Madeira traz por barco ou avião quase tudo o que consome. Quando o petróleo ou o frete sobem, o sobrecusto chega depressa à prateleira do supermercado, e há menos concorrência do que no continente para o amortecer. As Canárias conhecem bem esse mecanismo.

Habitação e energia 4,7% mais caras

O grupo da habitação, água, eletricidade e gás subiu 4,7% num ano. Aí entram a fatura da luz, a água, o gás e a renda. Só subiram mais os transportes (8%) e os restaurantes e hotéis (6,4%).

O que significam 6,9% na renda

O valor médio da renda por metro quadrado subiu 6,9% em termos homólogos, a maior subida de todas as regiões portuguesas. Um exemplo ilustrativo: uma família que paga 1.000 euros por mês por um apartamento no Funchal e vê a renda revista nessa proporção passaria a pagar 1.069 euros. São mais 69 euros por mês, cerca de 830 por ano, quase uma renda extra. Mas a estatística reflete a média do mercado, não cada contrato. Os contratos já assinados só podem ser atualizados pelo coeficiente anual fixado pelo INE, que em 2027 será de 2,56%. Os 6,9% traduzem sobretudo o que paga quem assina um contrato de arrendamento novo.

O que esperar

Para quem arrenda, convém verificar, antes de aceitar um aumento, se o contrato o permite e até que limite. Para quem procura casa, a pressão vai continuar enquanto o arrendamento de longa duração competir com o alojamento turístico. Para a Câmara Municipal do Funchal e o Governo Regional, o dado reforça a urgência de colocar mais habitação acessível no mercado. A inflação geral pode continuar a moderar no outono; a renda, a menos que a oferta cresça, não.