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Cabo Verde vai intervir nas habitações das famílias do acidente no Fogo

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

Cabo Verde vai intervir nas habitações das famílias do acidente no Fogo
Viviendas en las afueras de São Filipe, en la isla de Fogo (Cabo Verde). Foto: Iwoelbern / Wikimedia Commons (dominio público)

O Governo de Cabo Verde anunciou a 12 de setembro que vai intervir nas habitações das famílias afetadas pelo acidente registado em São Filipe, na ilha do Fogo. A medida junta-se aos apoios de emergência pela tragédia de 4 de setembro, quando um autocarro saiu da estrada e caiu numa ravina. Morreram 25 pessoas e 13 ficaram feridas, na maioria estudantes e jovens.

Uma resposta em várias frentes

O primeiro-ministro descreveu o sucedido como a maior tragédia do país desde a independência. Um gabinete de crise coordena o Governo com as câmaras municipais de São Filipe, dos Mosteiros e de Santa Catarina do Fogo. Cada família recebe 100 mil escudos por vítima mortal, cerca de 907 euros; o valor é pago por vítima e não por agregado, porque há casas que perderam mais do que um membro. Juntam-se cestas básicas, acompanhamento psicológico e o pagamento da viagem aos familiares diretos.

O que significa intervir nas habitações

O anúncio ainda não concretiza quantas casas serão abrangidas nem com que calendário. Em Cabo Verde, uma intervenção habitacional costuma significar reabilitar a casa existente: reparar coberturas, substituir materiais precários, instalar casa de banho e cozinha ou acrescentar um quarto. No Fogo, muitas famílias vivem em casas erguidas por fases, com dinheiro da emigração ou do trabalho dos filhos. Quando uma tragédia leva quem sustentava o agregado, a obra por acabar fica sem financiamento.

Uma ilha que sabe o que é reconstruir

O Fogo tem experiência de realojamentos. A erupção do Pico do Fogo de 2014 e 2015 soterrou a Portela e a Bangaeira, na Chã das Caldeiras, e obrigou a retirar todos os moradores; parte deles voltou a construir sobre a lava. Desde então, o programa estatal Casa para Todos ergueu habitação social em várias ilhas. A referência canária é La Palma: depois da erupção de 2021, o apoio de emergência chegou depressa, mas a habitação definitiva demorou anos.

O que as famílias podem esperar

A curto prazo, o dinheiro, a cesta básica e o apoio psicológico já chegam através do gabinete de crise. A intervenção nas habitações será mais lenta: será preciso recensear os agregados, avaliar cada casa e definir prioridades. Convém que as famílias se inscrevam na câmara municipal, guardem qualquer documento sobre a propriedade da casa e peçam por escrito que obra lhes cabe. À sociedade cabo-verdiana e à sua diáspora cabe vigiar que o anúncio se transforme em calendário, orçamento e numa lista de habitações com nomes.