A reabilitação das fachadas de cantaria revitaliza o centro histórico de Angra mas encarece as rendas
Um património de pedra que volta a brilhar
As fachadas de cantaria do centro histórico recuperam depois do reconhecimento da Unesco.
Obras minuciosas e orçamentos elevados
Restaurar uma fachada completa custa várias vezes mais do que uma obra convencional.
Casas de luxo em pleno centro histórico
Os imóveis reabilitados transformam-se em produtos de gama alta muito acima da média.
O risco de afastar os moradores de sempre
Famílias de sempre acabam por vender a investidores especializados em restauro de alto nível.
Um reconhecimento da Unesco que impulsionou a recuperação do centro
A classificação de Angra do Heroísmo como Património da Humanidade, em 1983, marcou o arranque de sucessivas campanhas de restauro das fachadas de cantaria, a pedra talhada característica da arquitetura terceirense. Depois de décadas de degradação provocada pelo abandono e pelos estragos do sismo de 1980, boa parte do centro histórico recupera agora o seu aspeto original graças a técnicos especializados em cantaria tradicional.
Um custo muito superior ao de uma obra convencional
Recuperar uma fachada de cantaria exige mão de obra especializada, escassa mesmo dentro dos Açores, e o recurso a pedra e a técnicas que encarecem de forma notória o orçamento face a uma reabilitação corrente. Os promotores calculam que este tipo de intervenção pode multiplicar várias vezes o custo de uma obra convencional, uma despesa que só compensa se o imóvel for depois destinado a uma utilização de valor acrescentado.
Angra, comparada com outros centros históricos do arquipélago
O processo faz lembrar o que se vive na Horta, no Faial, ainda que com uma diferença: em Angra, a cantaria confere uma identidade arquitetónica muito reconhecível, que atrai diretamente compradores interessados no valor patrimonial do imóvel e não apenas na sua localização. Esta singularidade explica por que razão os preços no centro histórico de Angra cresceram acima da média regional nos últimos exercícios.
O receio de que o centro histórico perca os seus moradores
Coletivos de moradores alertam para o facto de famílias que vivem há gerações no centro começarem a vender perante propostas que consideram impossíveis de recusar, dando lugar a investidores especializados em alojamento turístico de alto nível. A câmara municipal estuda fórmulas de proteção do inquilino e apoios à reabilitação para residentes de longa data, embora reconheça a dificuldade de competir com o poder de atração do mercado de luxo.



