O Parque Nacional de Garajonay limita a construção e deixa casas abandonadas nas suas imediações
Mais de dez por cento da ilha sob proteção
O Parque Nacional de Garajonay impõe limitações estritas a qualquer intervenção urbanística.
Casas que já não podem ser remodeladas
Casas junto a El Cedro ficaram desabitadas por não poderem ser ampliadas nem remodeladas.
Proprietários presos entre a conservação e a habitação
Quem herda casas dentro do perímetro protegido não tem alternativas claras.
Efeito indireto sobre os concelhos vizinhos
A limitação transfere pressão construtiva para Vallehermoso ou Hermigua.
Uma floresta de laurissilva classificada como Património Mundial
O Parque Nacional de Garajonay protege uma das florestas de laurissilva mais bem conservadas das Canárias, reconhecida pela Unesco como Património Mundial desde 1986 pelo seu valor enquanto relíquia da floresta subtropical que outrora cobriu boa parte do sul da Europa. Esta dupla proteção, nacional e da Unesco, explica o carácter especialmente rigoroso das limitações urbanísticas associadas ao parque. Qualquer intervenção nas suas imediações exige pareceres técnicos adicionais que não são exigidos fora do perímetro protegido. O valor ecológico do espaço está fora de discussão, mesmo entre quem reclama uma flexibilização das normas para as casas confinantes.
Famílias presas pela lei do património natural
Várias famílias com casas herdadas junto a El Cedro relatam a frustração de não poderem ampliar nem remodelar substancialmente casas que estão há gerações na sua posse, apesar de nelas terem residido habitualmente antes de a degradação avançar. A legislação de proteção não distingue entre construção nova e reabilitação do que já existe, o que dificulta consideravelmente qualquer processo. Alguns proprietários optaram por realizar reparações mínimas sem licença, perante a lentidão e a complexidade da via administrativa comum. Outros acabaram simplesmente por abandonar a casa, ao não encontrarem uma solução viável dentro da legalidade.
O gota a gota de mudanças para os concelhos vizinhos
Perante a impossibilidade de remodelar ou ampliar as suas casas dentro do perímetro protegido, boa parte das famílias afetadas optou por transferir a sua residência habitual para núcleos de Vallehermoso ou Hermigua, onde o planeamento urbanístico oferece maior margem de manobra. Esta deslocação reforçou a procura de terrenos e habitação em ambos os concelhos, com o consequente efeito sobre os preços locais. Promotores e agentes imobiliários da zona reconhecem que parte da sua atividade recente responde diretamente a esta pressão indireta proveniente das imediações do parque. O fenómeno ilustra como uma proteção ambiental rigorosa num ponto da ilha pode transferir tensão imobiliária para outros concelhos.
Um debate recorrente sobre compensações
As associações de proprietários afetados reclamam há anos algum tipo de compensação económica ou fiscal para quem vê limitado o uso da sua casa devido à proteção do parque, uma exigência que até agora não encontrou respaldo legal. O Cabildo de La Gomera estudou fórmulas de apoio pontual para a manutenção básica destas casas, sem que se tenha concretizado um programa estável. Especialistas em direito urbanístico assinalam que situações semelhantes noutros espaços naturais protegidos das Canárias foram resolvidas com mecanismos de permuta ou realojamento, ainda não explorados no caso de Garajonay. O debate sobre como compensar estas famílias continua em aberto, sem uma solução definida a curto prazo.



