Um em cada cinco apartamentos turísticos da Boa Vista fica vazio fora da época alta
Complexos que se esvaziam depois do verão europeu
A ocupação média cai abaixo dos 20% entre maio e setembro.
O custo de manter uma casa vazia
Um apartamento de cerca de 16.500.000 CVE tem uma quota de manutenção de 45.000 CVE/mês.
Um urbanismo pensado para a época alta
Os empreendimentos foram desenhados sem prever aproveitamento fora de época.
Um debate que começa a abrir-se
Propõe-se incentivar o arrendamento de média e longa duração entre proprietários ausentes.
Complexos desenhados para a época alta europeia
Os grandes complexos turísticos da Boa Vista, muitos deles vendidos por operadores europeus através de fórmulas de propriedade de férias, foram construídos a pensar num calendário de ocupação concentrado entre outubro e abril, coincidindo com a época de sol e praia mais procurada pelo mercado britânico e centro-europeu. Esta lógica comercial explica em parte por que razão boa parte das instalações permanece subaproveitada durante o resto do ano, quando o clima continua perfeitamente favorável ao turismo mas a procura cai com força.
Proprietários que suportam despesas sem receitas
Muitos proprietários estrangeiros que compraram o seu apartamento como investimento reconhecem que as quotas de manutenção, próximas dos 45.000 CVE mensais, representam um encargo considerável durante os meses em que a casa fica vazia e sem gerar qualquer tipo de rendimento. Administradores de condomínios da zona explicam que uma parte destes proprietários começou a ponderar a venda perante a dificuldade de rentabilizar o investimento inicial de forma constante ao longo do ano.
O arrendamento de média duração como possível saída
Algumas agências imobiliárias da Boa Vista começaram a promover o arrendamento de média e longa duração entre proprietários ausentes, dirigido tanto a trabalhadores do setor turístico como a visitantes que procuram estadias de várias semanas fora da época alta tradicional. Os primeiros resultados desta fórmula são ainda modestos, mas representam uma via para reduzir a taxa de casas vazias que hoje caracteriza boa parte destes complexos residenciais.
Um debate que envolve também o urbanismo da ilha
Responsáveis do setor turístico da Boa Vista reconhecem que o problema da ocupação sazonal deveria ter sido tido em conta desde a conceção inicial dos complexos, diversificando a oferta para perfis de visitante menos sazonais. Olhando para o futuro, propõe-se que os novos empreendimentos incorporem desde o projeto fórmulas de gestão que permitam um aproveitamento mais constante ao longo do ano, evitando repetir o padrão de subaproveitamento que hoje afeta boa parte do parque residencial turístico da ilha.



