Assomada, segunda cidade de Santiago, vive um mercado imobiliário entre o agrícola e o urbano
Uma cidade-mercado, com dois mercados imobiliários
Uma habitação com loja perto do Mercado Municipal custa entre 4 e 6 milhões de CVE.
O peso da terra agrícola
Um hectare de cultivo perto de Assomada custa entre 2 e 4 milhões de CVE.
Pressão urbana sobre os lotes periféricos
Parcelas agrícolas em São Bento, Cutelo ou Tarafalhinho transformam-se em lotes residenciais.
Um mercado mais estável do que o da capital
Assomada atrai compradores da diáspora e famílias jovens que procuram alternativa à Praia.
O pulso comercial dita o preço do solo
A zona imediatamente envolvente ao Mercado Municipal de Assomada concentra boa parte da actividade comercial de Santa Catarina, o que explica que as habitações com loja incorporada mantenham preços firmes. Os comerciantes já estabelecidos preferem comprar a arrendar, por considerarem a localização estratégica para o seu negócio. Esta procura estável distingue Assomada de outros núcleos de Santiago onde o comércio tem menor peso no mercado imobiliário.
A diáspora como compradora recorrente
Emigrantes naturais de Santa Catarina, sobretudo residentes nos Estados Unidos e em Portugal, mantêm um fluxo constante de investimento em habitação familiar em Assomada. Costumam adquirir o lote com a ideia de construir progressivamente, muitas vezes ao longo de várias visitas espalhadas por anos. Este padrão de compra faseada é comum em boa parte de Cabo Verde, mas torna-se especialmente visível numa cidade de dimensão intermédia como esta.
Um modelo diferente do da capital
Face à forte especulação que caracteriza a Praia, o mercado de Assomada move-se com maior estabilidade e menos oscilações bruscas de preço. Os agentes locais atribuem esta diferença ao menor peso do turismo e a uma base económica mais diversificada, repartida entre comércio e agricultura. Para muitas famílias jovens de Santiago, esta previsibilidade faz da cidade uma alternativa razoável à capital.
O futuro da periferia agrícola
Os técnicos municipais avisam que a conversão de parcelas agrícolas periféricas em lotes residenciais poderá acelerar-se nos próximos anos se o crescimento urbano não for ordenado. Fala-se da necessidade de um plano que delimite com clareza as zonas destinadas a expansão residencial e as reservadas ao cultivo. O objectivo assumido é evitar que Assomada perca a sua dupla identidade de cidade-mercado e núcleo agrícola.



