Sexta-feira 28 de Agosto de 2026 Macaronesia

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Vivendas e apartamentos de luxo permanecem vazios grande parte do ano nos empreendimentos costeiros do Sal

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

Vivendas e apartamentos de luxo permanecem vazios grande parte do ano nos empreendimentos costeiros do Sal
Foto: Martikkk / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Empreendimentos que só enchem na época alta

Até 60% das unidades permanece fechada durante a maior parte do ano.

Preços de um segmento premium

Uma vivenda com piscina privativa vende-se por cerca de 22.000.000 CVE.

Serviços a funcionar a meio gás

Empresas de manutenção gerem propriedades ocupadas apenas dois ou três meses por ano.

Impacto no tecido urbano

Algumas zonas de construção recente ficam semivazias fora de época.

Empresas de gestão, perante uma ocupação irregular

As administradoras de condomínios que operam nos empreendimentos costeiros do Sal explicam que boa parte dos seus clientes só visita a propriedade durante a época alta europeia, entre novembro e março. No resto do ano, estas empresas limitam-se a tarefas de manutenção básica, vigilância e limpeza de piscinas, sem que a habitação gere quaisquer receitas adicionais. Alguns gestores referem que cada vez mais proprietários estrangeiros optam por colocar as suas vivendas em plataformas de arrendamento de férias para rentabilizar os meses de menor utilização. Outros proprietários, porém, preferem preservar a privacidade da casa e afastam a hipótese de a arrendar a terceiros.

Comparação com a Boa Vista e outras ilhas turísticas

O padrão de vivendas de proprietários estrangeiros com baixa ocupação repete-se na Boa Vista, embora no Sal o fenómeno afete um segmento de mercado mais elevado, pela consolidação prévia do turismo internacional na ilha. Agentes imobiliários que operam em ambas as ilhas referem que os preços em Santa Maria e nos empreendimentos do Sal superam claramente os da vizinha Boa Vista. Analistas do setor consideram que esta diferença se explica pela maior antiguidade do desenvolvimento turístico no Sal e pela presença de compradores com maior poder de compra. Em ambos os casos, o resultado é uma ocupação sazonal que condiciona a vida dos bairros vizinhos.

Efeitos sobre o emprego local

Trabalhadores do setor da manutenção e da jardinagem nestes empreendimentos reconhecem que a sua atividade se concentra nos meses de maior ocupação, o que dificulta manter emprego estável ao longo de todo o ano. Algumas empresas optaram por diversificar os seus serviços para outros empreendimentos ou para o setor hoteleiro, de forma a compensar a quebra de atividade fora de época. Sindicatos locais têm apontado a precariedade destes empregos, diretamente ligados ao calendário dos proprietários estrangeiros. A Câmara Municipal do Sal reconhece o desafio de gerar emprego estável num modelo tão dependente da sazonalidade.

O debate sobre nova construção em zonas já semivazias

Apesar da baixa ocupação de boa parte do parque existente, os promotores continuam a pedir licenças para novos empreendimentos na costa do Sal, atraídos pela procura constante de compradores estrangeiros. Vozes do setor imobiliário questionam se faz sentido continuar a construir enquanto uma parte significativa das habitações atuais permanece fechada a maior parte do ano. A Câmara Municipal defende que cada projeto é avaliado de forma individual e que a procura internacional continua sólida. Os moradores das zonas limítrofes pedem que se dê prioridade às infraestruturas para os residentes permanentes antes de aprovar novas fases de construção.