São Roque do Pico vive um aumento de reabilitações no seu núcleo tradicional
Um centro histórico que começa a recuperar
As licenças de obra ligadas a habitação tradicional aumentaram de forma percetível.
Quem está por trás destas reabilitações
Famílias locais e novos residentes encontram em São Roque preços mais acessíveis do que na Madalena.
O desafio de conservar o carácter original
As reabilitações têm de respeitar critérios de conservação do carácter arquitetónico tradicional.
Efeito de arrastamento sobre o resto do concelho
A subida chega às freguesias vizinhas, onde o preço das casas tradicionais também aumenta.
Um segundo núcleo que sai da sombra da Madalena
Durante anos, a Madalena concentrou a maior parte do interesse imobiliário da ilha do Pico graças ao seu porto e à proximidade do aeroporto da Horta, no vizinho Faial, deixando São Roque para segundo plano. Esse equilíbrio começou a mudar à medida que os preços na Madalena encareceram e compradores e famílias locais foram procurando alternativas mais acessíveis dentro da mesma ilha. São Roque, com o seu próprio porto baleeiro histórico, oferece um património arquitetónico comparável a um custo menor. Este reequilíbrio interno beneficia um núcleo que durante décadas cresceu mais devagar do que a sede do concelho.
O passado baleeiro, um atrativo adicional
Boa parte do centro antigo de São Roque conserva edifícios ligados à antiga indústria baleeira da ilha, incluindo a fábrica de óleo de cachalote reconvertida em museu. Esse passado marítimo acrescenta um valor patrimonial que os compradores interessados no património histórico valorizam de forma especial na hora de escolher casa. Vários dos imóveis reabilitados recentemente pertenciam a antigas famílias ligadas à atividade baleeira. Os técnicos municipais consideram esta ligação histórica mais um argumento para justificar os critérios rigorosos de conservação exigidos nas obras.
Novos residentes com perfis diversos
Entre quem compra habitação tradicional em São Roque contam-se tanto emigrantes regressados dos Estados Unidos ou do Canadá, com ligações familiares à ilha, como profissionais que optaram pelo teletrabalho a partir de um ambiente mais tranquilo do que as grandes cidades. Este segundo perfil é relativamente novo no mercado picaroto e começa a ganhar peso nos pedidos que chegam às imobiliárias locais. Os emigrantes regressados, por seu lado, costumam dar prioridade à recuperação da casa de família em vez de comprarem uma casa nova. A combinação dos dois perfis diversifica uma procura que antes dependia quase exclusivamente do mercado local.
Freguesias vizinhas que começam a notá-lo
A subida de preços em São Roque já chegou a freguesias próximas como a Prainha ou as Bandeiras, onde antigas casas de pedra que há poucos anos quase não tinham procura começam a receber pedidos de compradores. Agentes imobiliários da zona descrevem este efeito como uma deslocação natural da procura para núcleos um pouco mais afastados, à procura de preços ainda acessíveis. A manter-se a tendência, alguns técnicos municipais antecipam que o fenómeno poderá alcançar nos próximos anos praticamente toda a costa sul da ilha. Para já, o efeito de arrastamento concentra-se nas freguesias mais próximas de São Roque.



