São Jorge junta despovoamento e subida de preços: as fajãs tornam-se objeto de desejo turístico
São Jorge, a ilha alongada e de relevo abrupto famosa pelo seu queijo, vive um mercado imobiliário a duas velocidades. Enquanto o interior da ilha arrasta um despovoamento de décadas, as suas fajãs costeiras, antigas plataformas de origem vulcânica ou resultantes de derrocadas, tornaram-se um dos ativos imobiliários mais cobiçados do arquipélago, segundo fontes do setor turístico e imobiliário local.
Uma ilha que perde população há décadas
São Jorge encadeia quebras populacionais sustentadas, com um envelhecimento acentuado nas freguesias do interior, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística. Boa parte das habitações dessas zonas permanece vazia, herdada por famílias que já não residem na ilha.
As fajãs, de zonas de subsistência a chamariz turístico
Historicamente habitadas por pescadores e pequenos agricultores, fajãs como as que pontuam a costa de Velas e da Calheta passaram a ser procuradas por compradores, muitos deles estrangeiros, que recuperam as casas antigas para turismo rural ou segunda habitação, atraídos pela paisagem e pelo isolamento. Os preços destas propriedades subiram com força em apenas um lustro, segundo agentes imobiliários consultados.
Um mercado dual: barato no interior, caro na costa
Essa dualidade marca todo o mercado da ilha: enquanto uma habitação tradicional no interior pode ser vendida por valores modestos, uma fajã recuperada com vista para o mar atinge cifras que multiplicam várias vezes esse montante, segundo fontes do setor.
O queijo e a pecuária como travão à construção
A economia de São Jorge continua a girar em boa parte em torno da produção de queijo e da pecuária leiteira, o que mantém protegidas amplas extensões de solo agrícola e limita o terreno disponível para nova habitação, um equilíbrio que as cooperativas queijeiras defendem como essencial para a ilha.
Iniciativas para fixar população
A Câmara Municipal das Velas e o Governo Regional mantêm programas de incentivos para atrair novos residentes e reabilitar habitação devoluta nas freguesias do interior, com o objetivo de travar a perda de população enquanto se ordena o crescimento do turismo nas fajãs.



