São Domingos resiste à pressão urbanística enquanto o preço da terra agrícola dispara
Um município agrícola no coração de Santiago
Um hectare de regadio no vale de São Domingos ronda os 3 milhões de CVE.
A tentação de vender para construir
Um lote urbanizável junto à estrada vende-se por cerca de 800.000 CVE.
Entre a vocação agrícola e o crescimento urbano
Exige-se um planeamento que proteja as zonas de maior valor agrícola.
Um mercado imobiliário ainda marginal
As transacções de habitação propriamente dita continuam a ser escassas.
Um vale histórico dedicado ao regadio
O vale de São Domingos concentra há décadas boa parte da produção hortícola que abastece os mercados da Praia e de Assomada, graças a um sistema de regadio que aproveita as levadas construídas em meados do século passado. Agricultores da zona recordam que até há pouco tempo vender terra de cultivo era algo excepcional, reservado a heranças familiares. A mudança de tendência surpreendeu mesmo quem trabalha estas parcelas há gerações. Muitos questionam-se agora se vale a pena continuar a cultivar ou esperar que o preço do solo continue a subir.
Vozes da Câmara Municipal
Os responsáveis municipais de São Domingos reconhecem que a pressão sobre o solo agrícola se intensificou no último ano, coincidindo com o avanço das obras de melhoria na estrada Praia-Assomada. A câmara defende a necessidade de rever o plano director municipal para delimitar com maior clareza que zonas podem ser reclassificadas e quais devem manter-se protegidas pelo seu valor produtivo. Foi também mencionada a possibilidade de criar incentivos para quem continue a dedicar as suas terras ao cultivo em vez de as vender.
Comparação com outros municípios de Santiago
O fenómeno faz lembrar o que aconteceu anos atrás em zonas periféricas de Santa Catarina, onde o crescimento urbano acabou por absorver boa parte do solo agrícola de proximidade. Os técnicos agrónomos consultados avisam que, se não se agir a tempo, São Domingos poderá perder em pouco tempo uma parte significativa da sua capacidade produtiva. Outros municípios rurais de Santiago acompanham com atenção a evolução deste mercado, conscientes de que a estrada Praia-Assomada poderá estender a mesma dinâmica a outras localidades próximas.
Um mercado de habitação que pode mudar de escala
Embora hoje as transacções de compra e venda de habitações continuem a ser escassas, alguns promotores já exploram a possibilidade de construir pequenos empreendimentos residenciais orientados para famílias da Praia que procuram um ambiente mais tranquilo e acessos melhorados. A confirmar-se esta tendência, São Domingos poderá passar em poucos anos de município eminentemente agrícola a alternativa habitacional para a capital, com as tensões que isso implicaria sobre o uso do solo.



