A pressão dos compradores estrangeiros dispara os preços da habitação em Lanzarote
O mercado da habitação em Lanzarote atravessa um dos seus momentos de maior tensão. A procura de compradores estrangeiros, somada a um parque residencial limitado pela escassez de solo, empurrou os preços para máximos históricos em boa parte da ilha, com Arrecife e Tías à cabeça das subidas, segundo os portais imobiliários.
Uma das percentagens mais altas de Espanha
Segundo os dados dos conservadores do registo predial e as estatísticas do setor, cerca de quatro em cada dez transações de habitação em Lanzarote são protagonizadas por compradores estrangeiros, uma percentagem que coloca a ilha, a par das Baleares e de Alicante, entre os territórios com maior peso da procura internacional em toda a Espanha. Britânicos, alemães, irlandeses e, cada vez mais, compradores do norte e do leste da Europa concentram as operações, com apetite especial pelas zonas costeiras do sul e pelas casas com potencial de alojamento local.
Arrecife e Tías, à cabeça
Os portais imobiliários situam o preço médio da habitação usada na ilha acima dos 2.700 euros por metro quadrado, com aumentos homólogos de dois dígitos nos municípios mais procurados. Em Tías, onde fica Puerto del Carmen, os valores superam claramente a média insular, ao passo que Arrecife, tradicionalmente mais acessível, regista as subidas percentuais mais intensas: a capital tornou-se refúgio da procura local expulsa dos núcleos turísticos e, ao mesmo tempo, alvo de investidores que procuram margem de valorização.
A procura local, desalojada
O efeito sobre os residentes é direto. Com salários ligados em grande medida ao setor turístico, o fosso entre os rendimentos locais e os preços de mercado alarga-se ano após ano. Fontes do setor assinalam que muitas famílias de Lanzarote ficaram fora do mercado de compra e competem num arrendamento igualmente pressionado, onde a oferta de longa duração diminuiu a favor do uso turístico. Os dados do Istac refletem ainda um crescimento demográfico sustentado que acrescenta pressão a um parque habitacional que cresce muito devagar.
Pouca construção nova à vista
A resposta do lado da oferta é limitada. A regulamentação insular restringe o crescimento urbanístico, e a construção nova que chega ao mercado concentra-se em empreendimentos de gama média-alta orientados em boa parte para a própria procura internacional. O Cabildo de Lanzarote e as câmaras municipais estudam fórmulas para mobilizar casas devolutas e facilitar empreendimentos de habitação a custos controlados, mas os agentes consultados concordam que, a curto prazo, a pressão da procura externa continuará a marcar o ritmo dos preços na ilha.



