A paisagem vitivinícola do Pico, protegida pela Unesco, encarece a habitação rural e trava a construção
O Pico, a segunda maior ilha do arquipélago e a mais reconhecível pelo seu vulcão, enfrenta uma transformação silenciosa do seu mercado imobiliário. A Paisagem da Cultura da Vinha, reconhecida pela Unesco como Património Mundial, protege a malha de currais de pedra negra que durante séculos definiu a ilha, mas essa mesma proteção limita agora a oferta de habitação num momento de procura crescente, segundo fontes do setor imobiliário.
Um mercado que arranca de níveis muito baixos
Os preços do Pico partiam de níveis muito inferiores aos de São Miguel ou do Faial, mas os portais imobiliários registam já subidas homólogas próximas dos 10% nas zonas da Madalena e de São Roque do Pico, os dois núcleos urbanos de referência da ilha.
Casas de pedra muito cobiçadas por compradores de fora
As antigas casas de pedra basáltica, muitas delas historicamente ligadas à atividade vitivinícola, tornaram-se objeto de desejo para compradores estrangeiros que procuram uma segunda habitação ou querem desenvolver projetos de turismo rural e enoturismo, segundo agentes imobiliários consultados. O seu restauro, no entanto, é dispendioso e está sujeito a condicionantes patrimoniais rigorosas.
As restrições patrimoniais, uma faca de dois gumes
A proteção da Unesco impede erguer construção nova em amplas zonas da paisagem vitivinícola e condiciona severamente as obras nas existentes, o que preserva o valor paisagístico da ilha mas reduz a margem de crescimento do parque habitacional. Os próprios viticultores queixam-se de que a escassez de solo disponível afeta também a ampliação das suas explorações.
Jovens que emigram enquanto sobe o preço das quintas
Enquanto o valor das propriedades ligadas ao vinho e ao turismo enológico se valoriza, boa parte da população jovem da ilha continua a partir para São Miguel ou para o continente à procura de emprego, num contraste que preocupa as associações de produtores locais.
O que se pondera nas instituições
O instituto regional do vinho e as câmaras municipais, tanto da Madalena como de São Roque do Pico, estudam fórmulas que permitam conciliar a proteção da paisagem vitivinícola com incentivos à reabilitação de habitação para residentes permanentes, sem comprometer o reconhecimento da Unesco.



