Mosteiros, entre a pesca e o turismo incipiente: assim se move o mercado imobiliário do norte do Fogo
Uma vila piscatória do outro lado do vulcão
Mosteiros funciona com regras muito diferentes das da capital da ilha.
Casas modestas, muito abaixo dos preços de São Filipe
Uma casa típica de pescador ronda os 1.500.000 CVE.
Um fluxo lento de compradores atraídos pela paisagem
Os lotes com vista para o mar já podem ultrapassar os 3.200.000 CVE.
Um mercado limitado pelo isolamento
A distância à capital limita o número de transações em cada ano.
Do outro lado do vulcão
Mosteiros situa-se na vertente norte da ilha do Fogo, separada de São Filipe pelas escorrências de lava do Pico do Fogo, o que obriga a contornar boa parte da ilha para chegar à vila. Esta localização manteve Mosteiros à margem do desenvolvimento urbano e turístico que a capital viveu nas últimas décadas, preservando um carácter marcadamente rural e piscatório. Os próprios moradores reconhecem que essa distância foi, em partes iguais, uma desvantagem para o desenvolvimento económico e uma proteção contra a especulação imobiliária.
Preços muito longe dos de São Filipe
Enquanto em São Filipe os preços da habitação subiram de forma sustentada nos últimos anos, impulsionados pelo turismo do vulcão e pela atividade institucional da capital, em Mosteiros os valores mantêm-se em níveis bem mais modestos. Os agentes imobiliários que operam ocasionalmente na zona atribuem esta diferença tanto ao isolamento da vila como à ausência de infraestrutura turística de algum nível. Para alguns compradores, é precisamente essa distância em relação à capital que constitui o principal atrativo de Mosteiros.
Um mercado que só crescerá se melhorarem os acessos
Os poucos agentes que trabalham na zona são unânimes: qualquer crescimento futuro do mercado imobiliário de Mosteiros dependerá em grande medida da melhoria da estrada de acesso a partir de São Filipe. Enquanto esse investimento não chegar, o número de transações continuará reduzido e concentrado em compradores dispostos a aceitar o isolamento da vila em troca de tranquilidade e paisagem. A própria autarquia do Fogo reconheceu por várias vezes a necessidade de melhorar esta ligação, sem que até agora tenha sido definido um calendário de obras.



