Milhares de casas fechadas de emigrantes regressados dos Estados Unidos e do Canadá pesam sobre o mercado do Pico
Uma ilha historicamente marcada pela emigração
O Pico está entre as ilhas com maior tradição de emigração para os Estados Unidos e o Canadá.
Casas que só abrem no verão
Os descendentes de emigrantes só regressam à ilha durante as férias de verão.
Um obstáculo para quem procura casa todo o ano
Uma parte significativa do parque construído permanece fora do mercado.
Tentativas de mobilizar esse parque de habitação fechado
A complexidade das heranças partilhadas entre países dificulta que estes imóveis cheguem ao mercado.
New Bedford e a Califórnia, destinos históricos da emigração picarota
A emigração do Pico para os Estados Unidos, sobretudo para comunidades como New Bedford, no Massachusetts, e várias localidades da Califórnia, remonta a meados do século XX e deixou atrás de si gerações inteiras já nascidas fora da ilha. Muitos desses descendentes mantêm uma ligação emocional forte à casa de família, embora quase não a visitem para além das férias de verão.
Heranças repartidas por vários países, um obstáculo legal
A dificuldade em mobilizar estas casas não é apenas sentimental. Quando o proprietário original morre, a herança costuma repartir-se por herdeiros residentes em países diferentes, o que obriga a tratar documentação em várias jurisdições antes de se poder vender ou arrendar o imóvel. Notários da ilha reconhecem que alguns processos demoram anos a resolver-se, com a casa a ficar fechada entretanto.
Um padrão que se repete no Faial e na Terceira
O fenómeno das casas fechadas por emigração não é exclusivo do Pico: o Faial e a Terceira, com tradições migratórias semelhantes para a América do Norte, apresentam um parque de habitação fechada proporcionalmente comparável. A diferença está no peso relativo sobre o mercado total, maior no Pico dada a sua menor população residente permanente.
Propostas municipais para reativar o parque fechado
Alguns municípios da ilha estudam linhas de mediação com as associações de emigrantes nos Estados Unidos e no Canadá para facilitar o arrendamento temporário destas casas durante os meses em que ficam vazias, uma fórmula já ensaiada com resultados desiguais noutras ilhas do arquipélago com problemas semelhantes de habitação fechada.



