Os jovens da Ribeira Grande desistem de comprar a primeira casa devido à escalada de preços
O sonho da primeira casa afasta-se
A Ribeira Grande, o segundo concelho mais populoso de São Miguel, vê subir o preço médio do metro quadrado impulsionado pela escassez de habitação nova.
Salários locais perante preços em alta
Os salários médios não cresceram ao mesmo ritmo que o preço da habitação na Matriz ou na Ribeirinha.
A opção de continuar em casa dos pais
Não é raro que casais na casa dos trinta continuem a viver com os pais enquanto poupam para a entrada.
Êxodo para o arrendamento em Ponta Delgada
Vários jovens mudam-se para a capital, onde a oferta de arrendamento é mais ampla, apesar de cara.
Matriz e Ribeirinha, as freguesias onde o preço mais subiu
As freguesias da Matriz e da Ribeirinha, as mais próximas do centro histórico da Ribeira Grande, concentram boa parte da subida de preços registada no concelho nos últimos anos. Agentes imobiliários explicam que a escassez de habitação nova deslocou a procura para a revenda de casas tradicionais, que se valorizam apesar de exigirem com frequência obras de modernização. Este fenómeno acabou por alcançar até habitações modestas afastadas do centro, arrastadas pela tendência geral do concelho.
O crédito à habitação, outro obstáculo para os jovens
Além do preço de compra, os jovens da Ribeira Grande apontam as condições de acesso ao crédito à habitação como uma barreira adicional, sobretudo quem trabalha com contratos temporários ou a tempo parcial no sector do turismo ou dos serviços. As instituições bancárias locais exigem entradas mínimas que muitas famílias jovens demoram anos a reunir, um obstáculo que se soma ao de encontrar uma casa a preço razoável. Esta combinação explica por que razão a idade média de acesso à primeira habitação no concelho subiu de forma notória.
O município procura fórmulas de habitação a preço acessível
A Câmara Municipal da Ribeira Grande começou a explorar, em conjunto com o Governo Regional dos Açores, linhas de habitação a custos acessíveis dirigidas especificamente a jovens com residência habitual no concelho. Estuda-se tanto a construção de novos empreendimentos em solo público como fórmulas de arrendamento com opção de compra, embora nenhuma iniciativa concreta tenha ainda começado a ser executada. Responsáveis autárquicos admitem que, sem estas medidas, o concelho corre o risco de perder população jovem para a capital da ilha.
Ponta Delgada, um destino com os seus próprios limites
Os jovens que optam por mudar-se para Ponta Delgada em busca de arrendamento encontram ali um mercado mais amplo, mas também sujeito às suas próprias tensões de preço, decorrentes do turismo e da concentração de serviços e emprego na capital. Vários destes jovens reconhecem que a mudança resolve o problema da habitação apenas em parte, ao implicar rendas igualmente elevadas face aos seus rendimentos. Este movimento migratório interno entre concelhos da mesma ilha reflete até que ponto a falta de habitação acessível se estendeu para lá de um único núcleo urbano.



