Os jovens de Puerto del Rosario desistem de comprar a primeira casa por falta de solo acessível
Puerto del Rosario, capital administrativa e económica de Fuerteventura, é o concelho com maior volume de população e de operações imobiliárias da ilha, mas também um dos que reflete com maior nitidez as dificuldades de acesso à primeira habitação entre a população jovem da ilha.
Salários insulares perante preços em alta
Segundo dados do Istac, os salários médios em Fuerteventura situam-se abaixo da média do arquipélago, ao passo que o preço da habitação em Puerto del Rosario manteve uma tendência de subida sustentada nos últimos exercícios, impulsionada em parte pela chegada de trabalhadores do setor turístico e dos serviços que residem na capital e se deslocam diariamente para o sul da ilha.
Bairros como La Matilla ganham atratividade pelo preço
Bairros periféricos como La Matilla ou as zonas de expansão em torno da avenida principal da cidade tornaram-se nas opções preferidas dos jovens compradores, por oferecerem preços sensivelmente mais baixos do que o centro histórico ou a frente marítima, segundo os portais imobiliários.
O arrendamento, a saída maioritária
Perante a dificuldade em reunir a entrada exigida pelas instituições financeiras, fontes do setor referem que uma parte crescente dos jovens de Puerto del Rosario opta diretamente pelo arrendamento de longa duração, um mercado que também viu subir os seus preços perante a pressão da procura e a escassa rotação de casas disponíveis.
Pedidos de habitação a custos controlados
Coletivos de moradores e sindicatos exigiram à Câmara Municipal e ao Governo das Canárias mais promoção de habitação a custos controlados na capital, argumentando que, sem nova oferta pública, o acesso à primeira casa continuará a deteriorar-se para as gerações mais jovens da ilha.
O testemunho de quem procura casa
Jovens de Puerto del Rosario que há meses procuram a sua primeira casa relatam dificuldades semelhantes: ofertas que desaparecem do mercado em poucos dias, entradas que ultrapassam largamente as poupanças acumuladas e a necessidade de recorrer a fiadores da família para conseguir um crédito à habitação. Vários explicam que alargaram a procura a concelhos vizinhos como Antigua ou Tuineje, onde os preços são um pouco mais acessíveis, ainda que isso implique assumir deslocações diárias mais longas até aos seus locais de trabalho na capital ou no sul turístico da ilha.
Comparação com outras capitais canárias
O fenómeno não é exclusivo de Puerto del Rosario: os portais imobiliários detetam tensões semelhantes em Arrecife, a capital de Lanzarote, embora os preços de Fuerteventura continuem a ser, em termos absolutos, mais moderados do que os de Las Palmas de Gran Canaria ou de Santa Cruz de Tenerife. Analistas do setor explicam que a diferença essencial está na relação entre o salário médio e o preço da habitação, que em Fuerteventura é particularmente desfavorável devido ao peso do emprego turístico sazonal, com salários contidos e elevada rotação laboral.
A autarquia estuda novas fórmulas de acesso
A autarquia explora, segundo fontes municipais, fórmulas de parceria público-privada para libertar solo destinado a habitação a custos controlados em regime de venda e de arrendamento acessível, além de linhas de garantias dirigidas especificamente a menores de 35 anos. Os coletivos de moradores pedem que estas iniciativas se concretizem em prazos definidos, recordando que anúncios semelhantes em anos anteriores nem sempre se traduziram em empreendimentos efetivamente construídos e entregues.



