Os jovens da Praia desistem de comprar a primeira casa na Achada Grande e no Palmarejo
Comprar a primeira casa, cada vez mais longe
Um apartamento pequeno de construção nova ronda os 8-9 milhões de CVE.
Da casa própria ao arrendamento partilhado
Cada vez mais jovens optam por arrendar quartos partilhados.
Terrenos que encarecem antes de se construir
O preço do solo urbanizável nos bairros periféricos multiplicou-se.
Uma geração que adia a emancipação
Só quem conta com remessas familiares consegue comprar antes dos 35 anos.
Testemunhos de jovens da Achada Grande e do Palmarejo
Vários jovens profissionais da Praia ouvidos nestes bairros são unânimes: um salário médio não chega para suportar a prestação de um crédito à habitação em construção nova. Muitos optaram por continuar a viver com os pais ou por partilhar casa arrendada com amigos ou colegas de trabalho até bem depois dos trinta. Alguns garantem ter começado a poupar graças a um segundo emprego ou a pequenos negócios complementares, sem garantias de reunir a entrada em poucos anos. A associação de jovens profissionais da Praia já levou esta preocupação a vários fóruns municipais.
O peso das promotoras no preço final
Promotoras que operam na Achada Grande e no Palmarejo explicam que o encarecimento do solo urbanizável se reflete diretamente no preço dos apartamentos novos. Algumas empresas começaram a oferecer tipologias mais pequenas ou acabamentos básicos para tentar manter o preço de entrada dentro de um intervalo comportável. Representantes do setor reconhecem que a margem para baixar realmente o preço da habitação é limitada sem uma intervenção sobre o custo do solo. A Câmara Municipal da Praia estuda fórmulas de parceria público-privada para libertar terrenos a menor custo em próximos empreendimentos.
Comparação com outros bairros da capital
O fenómeno da habitação inacessível para os jovens não é exclusivo da Achada Grande e do Palmarejo, embora seja nestes bairros que se concentra boa parte da construção nova da capital e, com ela, os preços mais altos. Em zonas mais periféricas da Praia, como Achada Santo António ou Tira Chapéu, os preços são mais moderados, ainda que à custa de maiores distâncias ao centro e aos principais locais de trabalho. Agentes imobiliários indicam que esta diferença empurra parte da população jovem para bairros cada vez mais afastados. O resultado, apontam, é uma deslocação progressiva dos compradores jovens para a periferia da cidade.
Remessas familiares, uma via de acesso desigual
Quem tem apoio financeiro de familiares emigrados consegue em muitos casos reunir a entrada necessária antes dos 35 anos, enquanto os restantes jovens veem esse objetivo adiar-se indefinidamente. Instituições bancárias da Praia confirmam que as remessas vindas da Europa e dos Estados Unidos continuam a ser determinantes em boa parte das operações de compra de casa nova. Esta dependência gera uma desigualdade evidente entre famílias com laços no estrangeiro e aquelas que dependem apenas de rendimentos locais. Economistas ouvidos consideram que, sem uma oferta mais acessível, este fosso continuará a condicionar o acesso à habitação na capital.



