Italianos, portugueses e britânicos concentram já boa parte das compras de apartamentos turísticos em Santa Maria
Um mercado com sotaque europeu
Compradores de Itália, Portugal e Reino Unido procuram apartamentos para arrendamento de férias.
Preços e rentabilidade como chamariz
Um apartamento de um quarto custa entre 8 e 14 milhões de CVE, com uma rentabilidade de 6-9%.
Efeito sobre a oferta disponível
Novos empreendimentos são comercializados em feiras europeias antes de chegarem ao mercado local.
Gestão à distância, um negócio em si mesmo
Surgiu um ecossistema de empresas de gestão de arrendamentos para proprietários ausentes.
Agências locais, entre a oportunidade e o desafio
As imobiliárias de Santa Maria reconhecem que boa parte da sua carteira de clientes vem já de fora de Cabo Verde, uma mudança assinalável face ao que sucedia há apenas uma década. Muitas destas agências passaram a contar com pessoal capaz de atender pedidos em italiano e inglês, além do português, para responder à procura internacional. O processo de compra costuma concluir-se à distância, com visitas presenciais limitadas a uma única estadia antes da escritura. Esta dinâmica obrigou as agências a reforçar a documentação digital e as visitas em vídeo aos imóveis.
Sal frente a outros destinos turísticos do arquipélago
O perfil do comprador europeu que chega a Santa Maria assemelha-se ao que já há anos opera na Boa Vista, ainda que com volumes de negócio superiores, dados os anos de desenvolvimento turístico acumulados no Sal. Os agentes ouvidos referem que o Sal oferece uma oferta hoteleira e de lazer mais consolidada, o que reforça o apelo da ilha face a outros destinos do país. Esta comparação tornou-se um argumento habitual de venda nas feiras imobiliárias europeias onde se apresentam os novos empreendimentos.
Formas de pagamento e financiamento
A maioria dos negócios fecha-se com pagamento a pronto, dada a dificuldade de aceder a créditos à habitação cabo-verdianos por parte de compradores não residentes. Alguns promotores oferecem planos de pagamento faseado associados às etapas da construção, uma fórmula que atrai sobretudo investidores que não procuram financiamento bancário. Os notários locais confirmam um aumento sustentado de escrituras em nome de sociedades estrangeiras criadas especificamente para canalizar este tipo de investimento. Esta via permite ainda simplificar a gestão fiscal dos proprietários ausentes.
Dúvidas sobre o efeito no mercado residencial local
Nem todos os agentes do setor veem esta tendência com entusiasmo. Vários residentes de Santa Maria alertam para o facto de a concentração de compradores europeus no segmento turístico pressionar indiretamente o preço dos terrenos disponíveis para habitação permanente. Os técnicos municipais ouvidos reconhecem o desafio, embora insistam em que o segmento turístico e o residencial continuam a responder, por agora, a lógicas de preço distintas. O debate sobre se convém introduzir algum tipo de limite ou regulação à compra estrangeira começa a despontar nos fóruns locais do setor.



