Sexta-feira 28 de Agosto de 2026 Macaronesia

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Brava

A irregularidade do ferry entre a Brava e o Fogo encarece até 30% os materiais de construção, segundo fontes do setor

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

A irregularidade do ferry entre a Brava e o Fogo encarece até 30% os materiais de construção, segundo fontes do setor
Foto: Holger Reineccius / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Uma ilha que depende de um só barco

Toda a cadeia de abastecimento passa pelo porto da Furna em direção a São Filipe, no Fogo.

Um serviço que a ondulação interrompe com frequência

O ferry suspende o serviço com relativa frequência entre dezembro e março.

Um sobrecusto que passa para o preço final

Este sistema logístico encarece entre 20% e 30% o custo dos materiais.

O porto da Furna, estrangulamento permanente

Qualquer atraso na descarga repercute-se de imediato no calendário das obras.

Uma ilha pequena com uma única via de abastecimento

A Brava é, a par de Santo Antão, uma das ilhas de Cabo Verde com menor autossuficiência em materiais de construção, o que obriga a importar praticamente tudo do Fogo ou da Praia através de escalas intermédias. Esta dependência transforma qualquer obra, por pequena que seja, num projeto logístico que tem de ser planeado com meses de antecedência. Construtores locais garantem que um simples atraso na chegada do cimento pode parar uma obra durante semanas.

A ondulação, o fator que decide os prazos

Entre dezembro e março, a agitação marítima no canal entre o Fogo e a Brava provoca suspensões frequentes do serviço de ferry, obrigando os construtores a acumular reservas de materiais antes de começar a época de pior mar. Esta previsão adicional aumenta os custos de armazenamento e obriga muitas empresas a manter stock imobilizado durante vários meses. O próprio calendário das obras na ilha organiza-se em grande medida em torno desta sazonalidade marítima.

O sobrecusto, um fator decisivo na hora de construir

Com um aumento de até 30% no preço dos materiais, muitas famílias da Brava optam por ampliar ou reabilitar a casa existente em vez de erguer uma construção nova, já que o sobrecusto dos envios marítimos pode ser determinante em orçamentos de si já apertados. Os poucos promotores que operam na ilha reconhecem que transferem este sobrecusto diretamente para o preço final da habitação, o que a coloca acima da média de outras ilhas de dimensão semelhante.

Comparação com outras ilhas menores do arquipélago

A situação da Brava é comparável à de Santo Antão ou de São Nicolau, ilhas que também dependem do transporte marítimo interilhas para o seu abastecimento, embora o caso da Brava se agrave por se tratar da ilha com menos população e menor atividade económica do arquipélago, o que reduz a margem para negociar melhores condições de transporte. As autoridades locais já propuseram por várias vezes reforçar a frequência do ferry, sem que até agora tenha surgido uma solução definitiva.