Os hotéis do Porto Santo procuram alojamento para o seu pessoal perante a falta de arrendamento acessível
A chegada de trabalhadores sazonais esbarra num parque de habitação para arrendamento muito reduzido.
Quando o hotel se torna senhorio
Vários estabelecimentos optaram por arrendar diretamente apartamentos para alojar o seu pessoal.
Alojamento local frente a arrendamento sazonal
Um proprietário obtém um rendimento muito superior arrendando por semanas a turistas.
Um desafio para a próxima temporada
Alguns empresários equacionam construir alojamentos próprios para os trabalhadores.
Uma ilha que se enche e se esvazia
O Porto Santo multiplica a sua população durante os meses de verão, tanto pela chegada de turistas como pelo pessoal sazonal que se junta a hotéis e restaurantes. Fora desses meses, boa parte desse mesmo parque habitacional fica subaproveitada, o que dificulta amortizar qualquer investimento em alojamento estável para trabalhadores. Este padrão sazonal condiciona boa parte das decisões imobiliárias na ilha. Empresários do turismo reconhecem que gerir esta variação da procura é um dos maiores desafios operacionais de cada temporada.
O custo de alojar o pessoal
Os hotéis que optam por arrendar apartamentos para o seu pessoal assumem um custo adicional que se reflete nas suas margens, sobretudo numa ilha onde os preços do arrendamento já são elevados devido à pressão turística. Alguns estabelecimentos preferem limitar esta prática aos postos mais difíceis de preencher, como cozinha ou manutenção. Outros alargam-na à maioria do pessoal deslocado da Madeira ou do continente, como forma de garantir a disponibilidade de trabalhadores ao longo de toda a temporada. Esta estratégia generalizou-se nos últimos anos perante a dificuldade de encontrar casa disponível no mercado aberto.
A concorrência do alojamento local
Os proprietários de casas no Porto Santo encontram no alojamento local de curta duração uma rentabilidade muito superior à do arrendamento sazonal dirigido a trabalhadores, o que reduz drasticamente a oferta disponível para este segundo uso. Esta dinâmica agrava-se nos meses de maior afluência turística, precisamente quando os hotéis mais pessoal necessitam. Algumas autarquias da região começaram a debater se convém limitar o alojamento local em determinadas zonas para libertar habitação de longa duração. Por agora, no Porto Santo não existe qualquer medida deste tipo em vigor.
Projetos próprios em estudo
Várias cadeias hoteleiras estudam a possibilidade de construir ou adaptar edifícios próprios destinados exclusivamente a alojar o seu pessoal durante a época alta, seguindo modelos já aplicados noutros destinos turísticos europeus. Estes projetos exigem um investimento considerável e solo disponível, duas condições nem sempre fáceis de reunir numa ilha de dimensão reduzida. A Câmara Municipal do Porto Santo mostrou-se aberta a avaliar estas iniciativas caso a caso. Para o setor, dispor de alojamento próprio poderá tornar-se uma vantagem competitiva na hora de atrair pessoal qualificado nas próximas temporadas.



