Na Graciosa, a mais pequena ilha habitada dos Açores, cada casa que chega ao mercado dispara o preço médio
A Graciosa, conhecida como a ilha branca pela cor das suas casas e classificada como geoparque mundial da Unesco, tem um dos mais pequenos mercados imobiliários da Europa. Numa ilha de apenas alguns milhares de habitantes, cada operação de compra e venda pesa o suficiente para, por si só, mexer com as estatísticas de preço médio, segundo fontes do setor imobiliário.
Um mercado que se conta pelos dedos
As agências que operam na ilha falam de um punhado de transações por ano, muito longe dos volumes de São Miguel ou da Terceira. Essa escassez de oferta explica que os preços reajam com força a qualquer venda pontual, com subidas homólogas que, segundo os poucos dados disponíveis, superam a média do arquipélago nos anos em que se regista alguma operação relevante.
Casas brancas e moinhos: o encanto que começa a pressionar
O reconhecimento como geoparque e o crescente interesse turístico pela sua paisagem de vinhas, moinhos de vento e pela Caldeira despertaram a atenção de alguns compradores estrangeiros para as tradicionais casas brancas de Santa Cruz da Graciosa, que recuperam para uso próprio ou turístico, segundo agentes imobiliários consultados.
A falta de serviços, travão e atrativo ao mesmo tempo
A dependência do transporte marítimo e a oferta limitada de cuidados de saúde mantêm a procura estruturalmente baixa, ainda que, paradoxalmente, sejam também parte do atrativo para quem procura tranquilidade e isolamento, assinalam fontes municipais.
Envelhecimento e casas herdadas
Tal como noutras ilhas mais pequenas do arquipélago, boa parte do parque habitacional da Graciosa está nas mãos de herdeiros que já não vivem na ilha, muitos deles emigrados, o que deixa inúmeras casas fechadas e fora do mercado ativo durante anos.
O que faz a administração local
A Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa mantém incentivos para atrair novos residentes e reforçou os apoios à reabilitação de habitação, embora reconheça que o desafio de fixar população compete com a lentidão das heranças e com a escassez de mão de obra para a construção.



