A falta de água e de eletricidade estável trava a construção de nova habitação em vastas zonas do Maio
Redes limitadas fora do núcleo urbano
Só a Vila do Maio dispõe de um abastecimento relativamente estável de água e eletricidade.
O sobrecusto da autossuficiência
Uma cisterna custa cerca de 350.000 CVE; um sistema solar básico, cerca de 600.000 CVE.
Um obstáculo à expansão residencial
Estes sobrecustos encarecem o orçamento total de uma habitação em cerca de 20%.
Investimento público por concretizar
Alargar as redes é condição prévia para qualquer plano sério de expansão residencial.
Calheta e Morro, os núcleos mais afetados
Fora da Vila do Maio, localidades como Calheta e Morro registam os cortes de eletricidade mais frequentes e prolongados, sobretudo durante a época de maior consumo turístico. Muitas famílias optaram por combinar geradores a gasóleo com painéis solares domésticos, para não dependerem exclusivamente da rede pública. Os moradores descrevem falhas de energia que por vezes se prolongam vários dias. A falta de continuidade no abastecimento dificulta também a conservação de alimentos e o funcionamento dos pequenos negócios locais.
Construtoras que já incorporam a autossuficiência
Várias pequenas construtoras da ilha começaram a oferecer pacotes que integram cisterna e sistema solar desde o desenho inicial da casa, em vez de os acrescentarem depois como uma obra de remodelação. Segundo explicam, este planeamento conjunto reduz ligeiramente o sobrecusto final, face à instalação de ambos os sistemas em separado depois de concluída a obra. Ainda assim, reconhecem que o desembolso inicial continua a afastar as famílias de menores rendimentos, que optam por construir por fases e adiar a instalação do sistema solar.
O exemplo de outras ilhas do arquipélago
Em ilhas como a Boa Vista, o alargamento da rede elétrica a zonas turísticas emergentes acelerou graças a acordos entre o Estado e operadores privados ligados ao setor hoteleiro. No Maio, sem um desenvolvimento turístico de dimensão comparável, esse tipo de acordo é mais difícil de replicar, o que deixa o alargamento das redes quase inteiramente dependente do orçamento público municipal e insular.
Prazos que se arrastam sem data firme
Fontes municipais reconhecem que existem estudos técnicos para estender a rede de água e eletricidade aos núcleos do interior, mas não foi fixado um calendário de execução. A dependência de financiamento externo e a prioridade dada a outras infraestruturas insulares adiam o projeto ano após ano. Entretanto, qualquer família que decida construir fora do núcleo urbano da Vila do Maio tem de assumir que a autossuficiência energética e hídrica continuará a ser, por agora, a única opção real.



