A dependência do ferry com o Faial e São Jorge encarece cada metro quadrado construído no Pico
Uma ilha que depende do mar para construir
Toda a ilha depende do transporte marítimo a partir do Faial e de São Jorge para os materiais de construção.
O impacto nos prazos e nos orçamentos
As ocorrências meteorológicas podem atrasar obras inteiras e encarecer os custos de armazenamento.
Materiais que não se fabricam na ilha
Cimento, aço e carpintaria industrializada chegam do Faial ou do resto do arquipélago.
Um fator que pesa em cada decisão de comprar ou construir
O sobrecusto logístico explica por que razão muitos compradores optam por reabilitar em vez de construir.
O transporte marítimo, um problema estrutural das ilhas mais pequenas
A situação do Pico não é um caso isolado no arquipélago dos Açores: ilhas como o Faial, a Graciosa ou o Corvo enfrentam restrições semelhantes no abastecimento de materiais. No entanto, o Pico destaca-se pelo volume de obra nova e de reabilitação que se concentra em localidades como a Madalena, São Roque e Lajes do Pico, o que multiplica o efeito de qualquer atraso no transporte marítimo. Construtores locais calculam que a dependência de uma única rota de abastecimento pode acrescentar entre duas e quatro semanas aos prazos previstos num projeto habitual.
Armazenar antes de construir, a estratégia habitual
Perante a incerteza dos envios, muitas empresas de construção optam por acumular materiais com meses de antecedência, o que obriga a dispor de armazéns ou terrenos destinados exclusivamente ao armazenamento. Este sobrecusto logístico acaba por ser transferido para o orçamento final da obra e explica, em parte, por que razão o metro quadrado construído no Pico é mais caro do que em ilhas com ligação mais direta ao continente português. Alguns promotores começaram a incluir esta rubrica como um item autónomo nos seus orçamentos, para que o comprador perceba a origem do sobrecusto.
O porto da Madalena, ponto de entrada crítico
A maior parte da carga que chega à ilha vinda do Faial e de São Jorge é descarregada no porto da Madalena, cuja capacidade tem ficado por vezes ultrapassada nos meses de maior atividade da construção. Os operadores portuários reconhecem que uma ampliação das instalações facilitaria a chegada de materiais em maior volume e com menos escalas, embora qualquer projeto deste tipo exigisse investimento público e vários anos de tramitação. Entretanto, o setor da construção continua a ajustar os seus calendários à disponibilidade real de transporte marítimo.
A reabilitação ganha terreno face à obra nova
Perante estes sobrecustos, cada vez mais proprietários optam por reabilitar casas existentes em pedra basáltica em vez de construir de raiz, já que boa parte da estrutura original pode ser aproveitada e se reduz a quantidade de material a importar. Esta tendência beneficia sobretudo os núcleos históricos de Lajes do Pico e São Roque, onde o parque habitacional antigo é abundante. Os profissionais do setor concordam que esta será a principal via de crescimento do mercado enquanto não melhorar a conectividade de transportes da ilha.



