Sexta-feira 28 de Agosto de 2026 Macaronesia

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Madeira

A costa turística da Madeira fica sem casas para empregados de mesa, cozinheiros e pessoal de limpeza

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

A costa turística da Madeira fica sem casas para empregados de mesa, cozinheiros e pessoal de limpeza
Foto: muffinn / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O setor que sustenta a economia da ilha, sem casa própria

No Caniço, com forte concentração hoteleira, há dificuldades crescentes em preencher os postos de serviço.

Alojamento local contra arrendamento residencial

As casas próximas das zonas hoteleiras são destinadas ao arrendamento de curta duração, mais rentável do que o residencial.

Empregados que viajam todos os dias de outros concelhos

Trabalhadores da restauração e hotelaria vivem longe do local de trabalho e assumem longas deslocações.

Hotéis que começam a oferecer alojamento próprio

Alguns estabelecimentos disponibilizam alojamento próprio para parte dos seus funcionários.

Um problema que cresce a cada nova temporada

As associações de hotelaria e restauração da Madeira alertam para o facto de a dificuldade em preencher lugares de empregado de mesa, cozinheiro ou pessoal de limpeza se agravar a cada nova época alta, obrigando alguns estabelecimentos a reduzir serviços ou a recorrer a pessoal temporário contratado fora da ilha. Esta escassez de mão de obra contrasta com uma procura turística que não para de crescer, sobretudo na costa sul, entre o Funchal e o Caniço. Empresários do setor reconhecem que a falta de habitação acessível se tornou um obstáculo tão relevante como a própria disponibilidade de trabalhadores qualificados. O problema, assinalam, ameaça limitar o próprio crescimento turístico da ilha.

Caniço, epicentro da tensão

A concentração de grandes complexos hoteleiros no Caniço fez desta localidade o ponto onde a tensão entre alojamento local e arrendamento residencial se sente com maior intensidade. Antigas casas de família do núcleo urbano foram reconvertidas em apartamentos turísticos de curta duração, atraídas por uma rentabilidade muito superior à do arrendamento tradicional. Moradores de sempre denunciam que quase não restam casas disponíveis para arrendar a preços razoáveis dentro do próprio município. Esta situação obriga boa parte do pessoal que trabalha nos hotéis da zona a procurar casa em concelhos vizinhos.

Longas deslocações diárias para o trabalho

Os trabalhadores da hotelaria que não encontram alojamento acessível perto do local de trabalho enfrentam diariamente deslocações de uma hora ou mais entre casa e os hotéis da costa turística, com transportes públicos que nem sempre acompanham os horários repartidos habituais no setor. Estas viagens acrescentam um desgaste físico considerável a jornadas já de si exigentes, e vários sindicatos do setor pediram melhorias nas carreiras noturnas de autocarro. Alguns empregados optaram mesmo por mudar de setor perante a dificuldade em conciliar horários e transportes. A rotatividade de pessoal em alguns hotéis é atribuída, em parte, a este fator.

Alojamento da empresa, uma solução parcial

Perante a dificuldade em reter pessoal, vários hotéis da costa turística começaram a adaptar edifícios próprios ou arrendados para alojar parte dos seus funcionários, uma fórmula habitual noutros destinos turísticos maduros. Esta solução permite aos trabalhadores poupar a deslocação diária, embora os sindicatos do setor exijam garantias sobre as condições destas casas e sobre a sua desvinculação do contrato de trabalho. Outros estabelecimentos, de menor dimensão, não têm recursos para oferecer uma solução semelhante e continuam dependentes de pessoal que se desloca de outros concelhos. O setor é unânime em considerar que se trata de um remendo necessário enquanto não se resolver o problema de fundo da habitação acessível na ilha.