Compradores estrangeiros põem o olho em São Lourenço, a baía de areia dourada de Santa Maria
Uma praia atípica nos Açores
São Lourenço é uma das poucas praias de areia dourada de todo o arquipélago.
Subida de preços na envolvente da baía
Aumentos entre 15% e 25% nos últimos quatro anos.
Pressão sobre uma paisagem protegida
Antigas vinhas em muros de pedra seca convivem com o interesse construtivo.
Habitação local, cada vez mais difícil de igualar
As casas próximas da baía ficam fora do alcance dos residentes.
O interesse internacional consolida-se
As agências imobiliárias da zona confirmam um aumento sustentado de pedidos de informação vindos de compradores do norte da Europa, sobretudo da Alemanha, da França e dos Países Baixos. A singularidade paisagística da baía, aliada à tranquilidade de Santa Maria face a destinos mais massificados, explica boa parte deste apelo. Muitos destes compradores procuram segundas habitações com vista para o mar e estão dispostos a pagar mais pela proximidade à praia.
Comparação com outras baías do arquipélago
Ao contrário de outras zonas costeiras dos Açores, de areia escura de origem vulcânica, São Lourenço oferece uma paisagem pouco habitual na região, o que a coloca num segmento próprio dentro do mercado imobiliário açoriano. Esta singularidade limita as alternativas de comparação direta para os compradores estrangeiros, que raramente encontram uma oferta semelhante noutras ilhas do grupo oriental ou ocidental.
Preocupação com a conservação da envolvente
Associações locais de defesa da paisagem avisam que o interesse construtivo poderá alterar o equilíbrio entre as antigas vinhas protegidas e as novas edificações. Pede-se às autoridades municipais que reforcem os controlos sobre as licenças de obra na envolvente imediata da baía. A preservação dos muros de pedra seca, elemento tradicional da paisagem agrícola da ilha, tornou-se um ponto de atenção específico nos planos de ordenamento.
A habitação local, em desvantagem crescente
Famílias residentes nas imediações de São Lourenço reconhecem que já não conseguem competir com o poder de compra dos estrangeiros. Algumas optaram por vender e mudar-se para outras zonas da ilha com preços mais moderados, enquanto outras preferem manter a propriedade da família apesar das ofertas recebidas. O resultado é uma progressiva substituição da população tradicional na envolvente imediata da baía.



