Sexta-feira 28 de Agosto de 2026 Macaronesia

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Maio

Na Calheta e no Morro, a pecuária continua a ditar o uso do solo à frente de qualquer projeto residencial

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

Na Calheta e no Morro, a pecuária continua a ditar o uso do solo à frente de qualquer projeto residencial
Foto: Somada / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Um interior agrário, não residencial

Calheta e Morro mantêm uma economia assente na criação extensiva de cabras e gado bovino.

Preços baixos, mas pouca urbanização

O solo transaciona-se entre 300 e 500 CVE/m², muito abaixo dos valores da capital.

Convivência entre casas dispersas e pastagens

As casas distribuem-se de forma dispersa por entre os terrenos de pastagem.

Sem pressão para mudar o modelo

Não existe pressão para reconverter solo de pastagem em residencial.

Uma tradição pecuária de gerações

A criação de cabras e de gado bovino na Calheta e no Morro remonta a várias gerações de famílias que herdaram tanto os animais como o uso consuetudinário das pastagens comunitárias. Esta tradição condiciona a forma como se entende a propriedade da terra, em que o valor do solo se mede mais pela sua capacidade de sustento pecuário do que pelo seu potencial urbanístico. Os próprios criadores reconhecem que dificilmente mudariam de atividade, mesmo que recebessem propostas de compra.

Comparação com o litoral turístico do Sal

Enquanto no Sal o metro quadrado de solo urbanizável pode ultrapassar largamente os 4.000 CVE nas zonas próximas do aeroporto, no interior pecuário do Maio os preços mantêm-se entre 300 e 500 CVE por metro quadrado, uma diferença que ilustra a ausência de pressão imobiliária sobre estes terrenos. Para os próprios residentes, essa diferença não é vista como uma desvantagem, mas como uma garantia de que o modelo de vida rural pode manter-se sem sobressaltos.

Infraestruturas básicas, não projetos residenciais

As autoridades municipais dão prioridade, nestes núcleos, à melhoria dos caminhos rurais e ao acesso a poços e bebedouros, antes de qualquer plano de urbanização. Os moradores reclamam sobretudo manutenção dos caminhos e abastecimento elétrico estável, e não novos loteamentos. Esta orientação do investimento público reforça o carácter agrário do território e afasta, pelo menos a curto prazo, qualquer projeto de expansão residencial de maior escala.

Um modelo que poderá perdurar

Os técnicos consultados coincidem em que, enquanto a pecuária continuar a ser rentável e não surgir uma procura turística significativa no interior da ilha, Calheta e Morro manterão a sua fisionomia atual de casas dispersas por entre pastagens. A ausência de infraestruturas estáveis de água e eletricidade, apontada noutros núcleos do Maio, reforça ainda a falta de atratividade destas zonas para qualquer promotor alheio ao setor agropecuário.