Sexta-feira 28 de Agosto de 2026 Macaronesia

euroinmobiliaria®
El Hierro

O boom do turismo de mergulho dispara o alojamento local em La Restinga

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

O boom do turismo de mergulho dispara o alojamento local em La Restinga
Foto: Mª. C. Mingorance Rodríguez / Wikimedia Commons (Domínio público)

Uma aldeia piscatória transformada em destino de mergulho

La Restinga, no município de El Pinar, é uma referência do mergulho graças à Reserva Marinha do Mar de las Calmas.

Menos casas para quem ali vive e trabalha

A proporção de casas anunciadas em plataformas de arrendamento turístico tem crescido de forma sustentada.

Preços que disparam em época alta

Os preços por noite em época alta multiplicam várias vezes o valor da renda mensal de longa duração.

A resposta da Câmara Municipal de El Pinar

Está em estudo uma regulamentação municipal do alojamento local.

Um equilíbrio difícil de manter

Os moradores pedem que o turismo de mergulho não esvazie a aldeia de residentes permanentes.

A Reserva Marinha, três décadas a atrair mergulhadores

A Reserva Marinha do Mar de las Calmas, criada no início dos anos noventa, protege um troço de costa que se tornou com o tempo uma das grandes referências do mergulho em águas espanholas, habitualmente comparada com outros locais do Mediterrâneo. Esta reputação, consolidada ao longo de várias décadas, atrai tanto mergulhadores ocasionais como praticantes que repetem época após época, gerando uma procura de alojamento muito concentrada em poucas semanas do ano. La Restinga vive hoje de gerir essa afluência sazonal com um parque habitacional que quase não cresceu no mesmo período.

Trabalhadores do setor náutico sem onde viver

Os próprios centros de mergulho de La Restinga reconhecem dificuldades em alojar monitores e instrutores que chegam à ilha por temporadas, em concorrência direta com o arrendamento turístico de curta duração. Vários estabelecimentos optaram por arrendar casas inteiras para os seus trabalhadores durante os meses de maior atividade, o que retira ainda mais oferta do mercado residencial disponível para os restantes moradores. Esta situação reproduz, a menor escala, a tensão que se vive noutras zonas costeiras das Canárias com forte sazonalidade turística.

O modelo de outras localidades de mergulho como referência

A Câmara Municipal de El Pinar analisou experiências de regulamentação aplicadas noutros destinos de mergulho consolidados, onde se optou por limitar o número de camas turísticas ou por exigir licenças específicas para o alojamento local em núcleos de pequena dimensão. Nenhuma destas fórmulas foi ainda transposta de forma concreta para La Restinga, mas serve de base ao debate municipal em curso. Os responsáveis locais insistem em que qualquer medida terá de ter em conta a dependência quase total da aldeia face à atividade turística ligada ao mar.

Moradores que pedem para não perder a essência da aldeia

As associações de moradores de La Restinga exigem que a regulamentação que vier a ser aprovada garanta que a aldeia mantenha população residente permanente durante todo o ano, para além da atividade gerada em época alta. Recordam que La Restinga foi durante gerações uma terra de pescadores antes de ser um destino de mergulho e receiam que a especialização turística acabe por esvaziá-la de moradores fixos se não forem impostos limites a tempo. O debate sobre essa regulamentação continua em aberto na Câmara Municipal de El Pinar.