O boom termal das Furnas dispara o alojamento local e encarece a habitação na vila
Uma vila termal com mais camas turísticas do que residentes
As Furnas vivem do turismo termal, com cada vez mais anúncios de alojamento local perto da Poça da Dona Beija e do Parque Terra Nostra.
Rentabilidade do alojamento turístico
Uma casa arrendada à noite rende várias vezes mais do que um contrato de arrendamento residencial anual.
Moradores que não encontram onde viver
Trabalhadores das termas e da restauração têm dificuldade em encontrar habitação estável na vila.
Um padrão que se repete
O caso faz lembrar outras vilas termais onde o turismo desloca a população local.
Um destino termal de referência no Atlântico
As Furnas foram durante décadas um dos destinos termais mais reconhecidos do arquipélago açoriano, graças às suas águas sulfurosas, aos seus jardins históricos e à tradição do cozido cozinhado debaixo da terra. Esse prestígio, reforçado nos últimos anos pela promoção turística regional, transformou a vila num destino de escapadinhas de fim de semana tanto para turistas estrangeiros como para visitantes de outras ilhas do arquipélago.
A rentabilidade do alojamento turístico face ao arrendamento residencial
Proprietários da zona reconhecem abertamente que uma casa destinada ao alojamento local rende em poucos meses aquilo que um contrato de arrendamento residencial rende num ano, o que torna pouco apelativo manter um imóvel no mercado de longa duração. Esta lógica económica, somada à reduzida dimensão do núcleo urbano, diminuiu de forma notória a oferta de habitação estável disponível para quem trabalha na própria vila.
Trabalhadores do setor termal sem casa perto do emprego
Termas como a Poça da Dona Beija e estabelecimentos de restauração ligados ao turismo termal admitem dificuldades crescentes em encontrar pessoal disposto a trabalhar nas Furnas se não lhe puderem garantir alojamento estável na própria vila. Alguns funcionários optam por deslocar-se diariamente a partir de Ponta Delgada ou de outros concelhos próximos, o que acrescenta tempo e custo ao seu dia de trabalho.
Um modelo que preocupa outras vilas termais
O caso das Furnas é seguido com atenção a partir de outros locais termais do arquipélago, conscientes de que o mesmo padrão de substituição de habitação residencial por alojamento turístico poderá repetir-se onde o atrativo turístico cresça com rapidez. Algumas câmaras municipais começaram a ponderar medidas preventivas, como limitar o número de licenças turísticas em determinadas ruas do centro histórico.



