Sexta-feira 28 de Agosto de 2026 Macaronesia

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Boa Vista

A Boa Vista aproxima-se da saturação urbanística no Sal Rei devido ao boom das segundas habitações

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

A Boa Vista aproxima-se da saturação urbanística no Sal Rei devido ao boom das segundas habitações
Foto: Ingo Wölbern / Wikimedia Commons (domínio público)

A Boa Vista, segunda ilha de Cabo Verde em peso turístico a seguir ao Sal, atravessa uma fase de expansão imobiliária acelerada, centrada no Sal Rei e na faixa de grandes resorts a sul da ilha, em zonas como a Praia de Chaves ou os arredores de Santa Mónica. A chegada de cadeias hoteleiras internacionais na última década foi acompanhada por um aumento notório da construção de moradias e apartamentos destinados a segunda habitação e a investimento em arrendamento de férias.

Um mercado orientado quase por inteiro para o comprador estrangeiro

Segundo agências imobiliárias que operam na ilha, mais de 80% das operações de compra e venda de habitação nova na Boa Vista correspondem a compradores não residentes, na sua maioria europeus. Os preços dos apartamentos turísticos situam-se entre os 90.000 e os 200.000 euros, consoante a proximidade da praia e a qualidade dos acabamentos, ao passo que os lotes urbanizáveis em zonas próximas dos grandes complexos hoteleiros multiplicaram o seu valor na última década, segundo fontes do sector imobiliário consultadas.

Sal Rei, entre o crescimento e a falta de planeamento

O núcleo urbano do Sal Rei, tradicional porto piscatório transformado em centro de serviços turísticos, arrasta um crescimento urbano que fontes municipais reconhecem como em parte desordenado, com bairros de trabalhadores do sector turístico — muitos deles originários de Santiago ou da Guiné-Bissau e do Senegal — erguidos com menos planeamento do que as zonas hoteleiras. As rendas para esta população trabalhadora subiram com força, segundo dados do INE de Cabo Verde, a par do crescimento do emprego turístico.

Infra-estruturas que ficam atrás do betão

O ritmo das novas construções turísticas ultrapassou, como reconhecem técnicos municipais, a capacidade das redes de água, saneamento e abastecimento eléctrico da ilha, o que nos últimos verões deu origem a cortes pontuais de fornecimento em algumas zonas do Sal Rei. O sector imobiliário local pede que se acelerem os investimentos públicos em infra-estruturas para não comprometer a atractividade da ilha junto dos investidores, num contexto de forte concorrência com o Sal na captação de capital estrangeiro.

O ordenamento do território, a matéria em atraso

A Câmara Municipal da Boa Vista anunciou a revisão do seu plano de ordenamento para impor limites mais claros à expansão de novos resorts e proteger zonas de valor ecológico, como as praias de nidificação de tartarugas marinhas a sul da ilha. Fontes do sector imobiliário assinalam, contudo, que a pressão do investimento estrangeiro continua tão forte que se torna difícil, na prática, travar novos projectos já comprometidos com capital internacional.