O arrendamento na Praia dispara até 18% com a chegada de funcionários e migrantes de outras ilhas
Uma capital que não para de absorver população
A renda média de um T2 no Plateau ou na Várzea ronda os 40.000 CVE, uma subida próxima dos 18%.
Funcionários, rendas e concorrência pelo espaço
Os funcionários públicos com subsídio de habitação afastam as famílias de rendimentos mais baixos.
O efeito da migração vinda de outras ilhas
A Praia concentra a oferta universitária e de saúde, atraindo migração interna.
Senhorios que aproveitam a tensão do mercado
Alguns proprietários renovam contratos com subidas superiores a 10% ao ano.
A capital que concentra os serviços do país
A Praia acolhe praticamente todos os ministérios, a principal universidade pública e os hospitais de referência de Cabo Verde, o que faz da capital destino obrigatório para quem procura estudar, receber tratamento médico especializado ou aceder a um emprego público. Esta concentração de serviços explica por que razão a cidade não deixa de receber população vinda de outras ilhas do arquipélago, mesmo em períodos em que a economia nacional não cresce com força. Cada novo ano letivo ou cada concurso para a função pública traduz-se, segundo agentes imobiliários locais, num aumento imediato da procura de arrendamento. Esta dinâmica mantém o mercado sob tensão de forma praticamente constante ao longo de todo o ano.
Plateau e Várzea, os bairros mais procurados
O centro histórico do Plateau e o vizinho bairro da Várzea concentram a maior parte da procura de arrendamento de apartamentos T2, graças à proximidade de repartições governamentais, comércio e estabelecimentos de ensino. Esta centralidade explica por que os preços nestes dois bairros superam de forma notória os das zonas periféricas da capital, apesar de se tratar de casas muitas vezes antigas e a precisar de obras. Proprietários da zona reconhecem que podem dar-se ao luxo de exigir fiadores ou cauções superiores aos habituais noutras partes da cidade. Esta seleção de inquilinos deixa fora do centro boa parte da população com menos recursos.
Subsídios de habitação que distorcem o mercado
Determinadas carreiras da função pública cabo-verdiana recebem suplementos salariais destinados especificamente a cobrir despesas de habitação quando são colocadas na capital vindas de outra ilha, um apoio que na prática lhes permite competir em melhores condições pelas casas disponíveis. Famílias sem acesso a este tipo de suplemento queixam-se de competir em clara desvantagem face a funcionários recém-transferidos. Alguns proprietários do Plateau admitem preferir abertamente inquilinos com este tipo de rendimento garantido, pelo menor risco de incumprimento. O fenómeno reproduz, a menor escala, dinâmicas já conhecidas noutras capitais onde o emprego público concentra boa parte do poder de compra do mercado de arrendamento.
Contratos que se renovam em alta todos os anos
A escassez de oferta permite a numerosos proprietários da Praia renovar os contratos de arrendamento com subidas superiores a 10% ao ano, muito acima da inflação geral do país, aproveitando o facto de encontrar uma alternativa de preço semelhante se tornar cada vez mais difícil para o inquilino. Associações de defesa do consumidor começaram a receber queixas de famílias que veem a sua renda encarecer repetidamente sem que exista um enquadramento regulador claro que limite este tipo de subidas. Alguns deputados levantaram a necessidade de estudar mecanismos de contenção semelhantes aos que existem noutros países, embora o debate não tenha avançado para além de declarações pontuais. Entretanto, a pressão sobre o arrendamento na capital cabo-verdiana não dá sinais de abrandar.



