A zona das salinas de Pedra de Lume começa a atrair projetos turísticos e imobiliários
Uma atração que muda o valor da envolvente
Os lotes junto ao acesso às salinas valem cerca de 3.500 CVE/m².
De terreno marginal a ativo turístico
Projetos de alojamento boutique e restauração orientados ao turista de passagem.
Pequenos projetos, pressão crescente
A sua proliferação gera preocupação quanto ao impacto paisagístico.
Entre conservação e desenvolvimento
Alerta-se para o risco de perder a singularidade do local sem um ordenamento claro.
Uma paisagem única como chamariz
A antiga cratera vulcânica de Pedra de Lume, com as suas piscinas de sal e a sua paisagem lunar, consolidou-se como uma das atrações turísticas mais visitadas do Sal, o que explica o crescente interesse imobiliário na sua envolvente imediata. Os operadores turísticos incluem a visita às salinas em boa parte dos circuitos organizados pela ilha. Este fluxo constante de visitantes transformou terrenos antes considerados marginais em ativos com procura real. Promotores locais reconhecem que há apenas uma década ninguém teria antecipado este nível de interesse pela zona.
Projetos de pequena escala em curso
Os projetos que estão a ser desenvolvidos junto ao acesso às salinas combinam alojamento boutique de poucos quartos com uma oferta de restauração orientada ao turista de passagem, mais do que ao hóspede de longa estadia. Este formato exige menor investimento inicial do que um hotel convencional, o que atraiu pequenos investidores locais e também alguns estrangeiros residentes na ilha. A proximidade a Espargos facilita o abastecimento e a contratação de pessoal para estes negócios. Vários destes projetos já estão em funcionamento, enquanto outros se encontram ainda em fase de construção.
O risco da proliferação descontrolada
O próprio sucesso da zona multiplicou o número de pedidos de construção na envolvente de Pedra de Lume, o que começa a gerar preocupação entre os técnicos municipais quanto ao possível impacto visual sobre uma paisagem até agora pouco alterada. Alguns moradores e operadores turísticos alertam já para o facto de um desenvolvimento excessivo poder retirar valor precisamente ao atrativo que torna o local único. A Câmara Municipal do Sal estuda se o planeamento atual é suficiente para ordenar este crescimento. A falta de regulamentação específica para a envolvente da cratera é apontada como uma das principais lacunas.
Entre proteger e aproveitar
Especialistas em ordenamento do território insistem em que Pedra de Lume precisa de um plano específico que concilie o desenvolvimento turístico com a conservação do seu valor paisagístico e geológico. Sem esse enquadramento, avisam, o local corre o risco de perder precisamente aquilo que o distingue de outras zonas costeiras já massificadas da ilha. As autoridades locais admitiram a possibilidade de estudar figuras de proteção adicionais para a envolvente imediata da cratera. Enquanto esse enquadramento não é definido, os pequenos projetos imobiliários continuam a multiplicar-se na zona.



