Vecindario vive o seu maior impulso de construção nova em duas décadas perante a falta de terrenos na capital
O núcleo de Vecindario, no concelho de Santa Lucía de Tirajana, concentra atualmente vários dos empreendimentos de construção nova mais ativos de toda a ilha, num momento em que a escassez de terrenos urbanizáveis em Las Palmas de Gran Canaria empurra promotores e compradores para sudeste. Fontes do setor da construção calculam que o número de casas novas em comercialização na zona se multiplicou nos últimos anos.
Terrenos disponíveis e boas acessibilidades
A combinação de terrenos ainda disponíveis, a autoestrada GC-1 e a proximidade ao parque industrial de Arinaga fazem de Vecindario uma alternativa habitual para famílias jovens que trabalham na capital ou na zona turística do sul mas que não conseguem suportar o preço da habitação nesses concelhos. Os preços da construção nova em Vecindario, segundo os portais imobiliários, mantêm-se sensivelmente abaixo dos de Las Palmas de Gran Canaria e da faixa turística de Maspalomas.
Empreendimentos orientados para a procura local
Os promotores que operam na zona indicam que a tipologia mais procurada são casas de três quartos com lugar de garagem, pensadas para famílias com filhos que procuram estabilidade face ao mercado de arrendamento. Vários destes empreendimentos incluem já uma percentagem reservada a habitação a custos controlados, em cumprimento da legislação regional, o que gerou listas de espera consideráveis entre os candidatos da comarca.
Pressão sobre serviços e infraestruturas
O crescimento residencial reabriu o debate sobre a capacidade dos centros escolares e de saúde de Vecindario e El Doctoral para absorver a nova população, um assunto que a Câmara Municipal de Santa Lucía de Tirajana reconhece como um dos principais desafios decorrentes deste auge construtivo.
Um modelo que outros concelhos observam
Técnicos de urbanismo consultados apontam que o caso de Vecindario poderá servir de referência para outros concelhos do leste da ilha com terrenos disponíveis, como Telde ou Ingenio, perante a necessidade de gerar oferta residencial acessível que alivie a pressão sobre a área metropolitana da capital.



