Os trabalhadores do porto e da Cabnave denunciam falta de habitação acessível perto do Mindelo
Emprego estável, casa inalcançável
Muitos trabalhadores portuários e navais têm de se deslocar a partir de bairros distantes.
Rendas que não acompanham os salários
O arrendamento perto do porto ronda os 30.000 CVE mensais.
Um problema com impacto na competitividade
A falta de habitação dificulta a retenção de mão de obra qualificada.
Pedidos de solo para habitação de trabalhadores
Os sindicatos pedem que se reserve solo público perto da zona portuária.
Um porto que cresce, um bairro que não acompanha
O Mindelo registou nos últimos anos uma retoma da atividade tanto no porto comercial como no estaleiro Cabnave, o que aumentou a contratação de pessoal técnico e operário. No entanto, a oferta de habitação nos bairros junto ao porto não cresceu ao mesmo ritmo. Trabalhadores com contratos estáveis acabam a competir pelo mesmo e reduzido parque de arrendamento que o resto da população do Mindelo. Sindicatos do setor consideram que esta desproporção se agravou no último quinquénio.
O custo de viver longe do trabalho
Quem não consegue arrendar perto do porto tem de se deslocar a partir de bairros periféricos, o que se traduz em mais tempo de viagem e despesa adicional em transporte. Para os turnos de madrugada, habituais no estaleiro, esta deslocação torna-se especialmente problemática. Alguns trabalhadores optam por partilhar casa entre vários colegas para reduzir a despesa mensal. A direção da Cabnave reconhece que a logística dos turnos se complica quando o pessoal vive longe.
Comparação com a Praia e o Sal
Trabalhadores portuários assinalam que o problema não é exclusivo de São Vicente e citam situações semelhantes entre o pessoal do turismo no Sal ou os funcionários públicos da Praia. Em todos os casos, os salários do setor não evoluíram ao mesmo ritmo que as rendas urbanas. Analistas do mercado imobiliário cabo-verdiano atribuem esta diferença ao crescimento sustentado da procura face a uma oferta de habitação que cresce lentamente. São Vicente, ainda assim, concentra o caso mais visível pelo peso do emprego portuário na sua economia local.
Negociações em curso
Representantes sindicais transmitiram à Câmara Municipal de São Vicente o pedido de reserva de solo público específico para habitação destinada a trabalhadores do setor marítimo. A proposta prevê condições de acesso preferencial para empregados com contrato sem termo no porto ou na Cabnave. A autarquia mostrou disponibilidade para estudar a proposta, embora ainda não tenha concretizado qualquer projeto ou prazo. Os sindicatos avisam que, sem avanços, o problema poderá acabar por afetar a capacidade da ilha de reter pessoal qualificado.



