A paisagem da Cultura da Vinha dispara o preço do solo na Criação Velha e em Santa Luzia
Uma paisagem protegida que se tornou escassa
As parcelas de vinha na Criação Velha e em Santa Luzia tornaram-se o segmento mais pressionado do mercado do Pico.
O efeito do rótulo Unesco sobre o preço
Uma casa com vista para os currais pode custar o dobro de uma equivalente fora do perímetro reconhecido.
Solo limitado pela própria legislação de proteção
A classificação da Unesco impõe restrições estritas a novas construções e a mudanças de uso.
Um mercado que começa a preocupar os próprios viticultores
As associações de viticultores receiam ser afastadas de um solo que cultivam há gerações.
Currais de pedra, um elemento que dispara o valor
Os tradicionais currais de pedra vulcânica que protegem as cepas do vento constituem, a par da própria vinha, um dos elementos mais valorizados pelos compradores desta zona. Uma parcela com currais bem conservados e casa tradicional anexa pode atingir valores muito superiores aos de um terreno agrícola equivalente sem esse valor paisagístico. Especialistas em património sublinham que este tipo de construção, obra coletiva de gerações de viticultores, se tornou um argumento de venda tão importante como a própria localização.
Compradores estrangeiros com perfil ligado ao vinho
Boa parte dos últimos negócios na Criação Velha e em Santa Luzia corresponde a compradores estrangeiros interessados em pequenos projetos vitivinícolas ou em segundas habitações associadas à paisagem protegida. Agentes imobiliários da zona apontam um perfil recorrente de comprador europeu com interesse prévio pelo enoturismo, disposto a assumir preços elevados em troca de uma parcela dentro do perímetro reconhecido pela Unesco. Este tipo de procura quase não existia antes da classificação patrimonial e mudou o perfil habitual do comprador no concelho da Madalena.
A Câmara Municipal da Madalena, entre a promoção turística e a proteção
A Câmara Municipal da Madalena reconhece o atrativo turístico que representa o rótulo Unesco, mas admite a dificuldade de conciliar essa promoção com a proteção efetiva da paisagem vitícola face à especulação. Fontes municipais explicam que qualquer mudança de uso dentro do perímetro protegido exige autorização expressa, um mecanismo que trava parcialmente a pressão imobiliária, mas não elimina a valorização do solo. O equilíbrio entre atrair visitantes e investimento e preservar a atividade vitivinícola tradicional concentra boa parte do atual debate municipal.
O receio de perder a renovação geracional no cultivo
Várias famílias viticultoras de Santa Luzia alertam para o facto de os seus filhos poderem ser tentados a vender parcelas herdadas perante propostas muito superiores ao rendimento que obtêm do cultivo tradicional. As associações do setor reclamam linhas de apoio específicas que tornem mais aliciante continuar com a vinha do que vender diretamente o terreno. O risco, assinalam, é que dentro de uma geração boa parte da paisagem protegida pertença a proprietários sem qualquer vínculo produtivo com a terra.



