Nem mais uma parcela: o Parque Natural do Arquipélago Chinijo deixa Caleta de Sebo sem margem para crescer
Basta caminhar até ao limite de Caleta de Sebo para o comprovar: as ruas de areia e as casas de um só piso terminam de forma abrupta e, a partir daí, só há terreno protegido. La Graciosa integra o Parque Natural do Arquipélago Chinijo, uma das figuras de proteção mais rigorosas das Canárias, que abrange também os ilhéus de Montaña Clara e Alegranza e uma vasta reserva marinha.
Um limite físico ao crescimento
Essa proteção, gerida em conjunto pelo Governo das Canárias, o Cabildo de Lanzarote e a Câmara Municipal de Teguise, deixa fora de qualquer planeamento urbanístico quase a totalidade do território insular. Na prática, o solo classificado como urbano resume-se ao perímetro já edificado de Caleta de Sebo, pelo que não há lugar a novas promoções nem a alargamentos da povoação, segundo fontes do planeamento municipal.
Autorizações que se contam por anos
Mesmo dentro do casco existente, qualquer obra de ampliação ou mudança de uso tem de passar por autorizações ambientais que, de acordo com os portais imobiliários e fontes locais, podem demorar vários anos. Essa morosidade desincentiva muitos proprietários a avançar com obras e contribui para que o parque habitacional se mantenha praticamente estagnado há mais de uma década.
O resultado é um paradoxo que as próprias administrações reconhecem: a mesma proteção que salvou a paisagem de La Graciosa da urbanização que atingiu outras costas canárias é também a que impede responder com nova habitação a uma procura que não para de crescer.
Famílias que esperam sem uma lista onde se inscrever
Em Caleta de Sebo não existe sequer um registo formal da procura de habitação, admitem fontes municipais, porque não há solo sobre o qual oferecer seja o que for. Várias famílias da ilha aguardam há anos que se liberte uma casa familiar ou que alguma administração crie uma fórmula de habitação a custos controlados, sem que exista até hoje qualquer projeto concreto em cima da mesa. Esta ausência de um canal formal, assinalam fontes locais, agrava a sensação de bloqueio entre quem quer continuar a viver na ilha onde nasceu.
Um caso mais extremo do que o de outros espaços protegidos
As Canárias têm outros parques naturais que convivem com núcleos habitados, como acontece na envolvente de Timanfaya, em Lanzarote, mas fontes do Governo regional sublinham que La Graciosa é um caso singular, porque praticamente todo o núcleo urbano está rodeado pela figura de proteção, quase sem solo de transição. Essa circunstância, explicam as mesmas fontes, torna limitada qualquer comparação com outros municípios protegidos, já que em La Graciosa a própria povoação nasceu dentro dos limites do parque.
Pedidos de uma fórmula específica para residentes
Coletivos de moradores e alguns técnicos municipais têm levantado, em vários fóruns, a hipótese de estudar uma figura excecional de habitação a custos controlados para residentes permanentes, que não implique alargar o solo urbanizável mas permita otimizar o escasso parque existente. O Cabildo de Lanzarote e o Governo das Canárias não assumiram até agora qualquer compromisso concreto nesse sentido, segundo fontes do planeamento insular, para além de reconhecerem que o problema existe e que exige uma solução específica para a ilha.



