Os jovens do Porto Santo, fora do mercado da habitação da sua própria ilha
O preço médio de uma casa de dois quartos em Vila Baleira subiu, enquanto os salários avançaram a um ritmo muito mais lento.
O parque habitacional antigo, a única porta de entrada
As compras dos jovens concentram-se em casas antigas que precisam de obras.
Heranças, convivência e adiamento da emancipação
Casais jovens adiam a compra de casa própria e permanecem no lar familiar.
Um problema que a ilha partilha com a Madeira, mas mais acentuado
A relação preço/salário é pior do que no conjunto da Madeira.
Vila Baleira, epicentro da tensão imobiliária
Praticamente todo o aumento de preços se concentra em Vila Baleira, o único núcleo urbano com peso no Porto Santo, onde a procura turística e a residencial convivem num espaço muito limitado. Agentes imobiliários da ilha assinalam que a escassez de solo urbanizável, aliada ao atrativo da famosa praia dourada para segunda habitação, deixa muito pouca margem para operações dirigidas a compradores jovens com recursos modestos. Esta combinação explica por que razão o preço médio continuou a subir mesmo em períodos de menor atividade turística geral na Madeira.
O papel da segunda habitação de não residentes
Uma parte significativa das compras na ilha corresponde a compradores de fora do Porto Santo, tanto do resto da Madeira como do continente português, que procuram uma casa de férias. Estes compradores costumam competir diretamente com as famílias jovens locais pelo mesmo tipo de imóvel, já que ambos os perfis se interessam pelas casas antigas do centro urbano suscetíveis de obras. O resultado é uma pressão em alta sobre um parque habitacional que quase não cresce em área disponível.
Iniciativas municipais ainda insuficientes
A Câmara Municipal do Porto Santo tem apresentado nos últimos anos linhas de apoio à habitação jovem, entre elas facilidades para a reabilitação de imóveis herdados ou o acesso a solo municipal a preço reduzido. No entanto, técnicos da autarquia reconhecem que estas medidas chegam a um número limitado de famílias face ao volume real de procura por satisfazer. Associações de moradores insistem em que qualquer solução duradoura passa por alargar a oferta de habitação destinada especificamente a residentes permanentes.
Uma ilha pequena, um mercado sem margem de manobra
Com apenas alguns quilómetros quadrados de área habitável, o Porto Santo não tem a margem de que outras ilhas dispõem para abrir novas zonas residenciais sem afetar a paisagem que sustenta o seu atrativo turístico. Esta limitação estrutural transforma qualquer decisão urbanística num equilíbrio delicado entre preservar o território e facilitar o acesso à habitação da população local.



