Os jovens do Porto Novo, entre salários baixos e solo urbano escasso para a primeira habitação
A capital, com o solo urbano mais caro da ilha
O preço do solo urbanizável situa-se muito acima da média da ilha.
Salários que não acompanham o mercado
Uma habitação modesta ronda os 3.000.000 CVE, inalcançável para ordenados de cerca de 25.000 CVE.
O arrendamento, uma alternativa cada vez mais cara
Um apartamento pequeno perto do centro ronda os 20.000 a 30.000 CVE por mês.
Migração interna para o norte da ilha
Os jovens procuram casa em Ribeira Grande ou no Paúl, onde o solo é mais acessível.
Porto Novo concentra a atividade económica da ilha
Enquanto capital administrativa e comercial de Santo Antão, Porto Novo atrai população de outros concelhos da ilha à procura de emprego, o que mantém a pressão sobre um solo urbano já de si limitado pela orografia envolvente. Esta combinação de oferta de emprego e escassez de solo explica por que razão os preços da habitação na capital superam claramente os de outras localidades de Santo Antão.
O peso do transporte marítimo no custo de construir
Tal como acontece noutras ilhas do arquipélago, boa parte dos materiais de construção que chegam ao Porto Novo depende do transporte marítimo a partir do Mindelo, o que acrescenta um sobrecusto logístico que se reflete no preço final da habitação nova. Este fator agrava ainda mais o fosso entre o custo de aceder a uma casa e os salários médios da população local.
O arrendamento partilhado, uma solução habitual entre os jovens
Perante a dificuldade de aceder a uma habitação individual, é habitual que vários jovens partilhem casa no Porto Novo para conseguirem suportar a renda mensal, uma prática que até há poucos anos era menos comum na ilha. Trabalhadores do setor dos serviços e da administração pública, com salários semelhantes aos de outras ilhas rurais de Cabo Verde, referem que sem esta fórmula de convivência o acesso a uma casa independente seria praticamente inviável.
Ribeira Grande e Paúl, válvula de escape
A deslocação de jovens para Ribeira Grande ou para o Paúl não está isenta de inconvenientes, já que ambos os concelhos têm menos oferta de emprego e pior ligação ao Porto Novo, sobretudo nos meses de maior chuva, quando as estradas de montanha sofrem cortes frequentes. Ainda assim, muitas famílias consideram que a poupança na habitação compensa o maior tempo de deslocação diária.



