Os jovens do Mindelo estão cada vez mais longe de comprar a primeira casa
Salários estagnados, preços em alta
Um terreno urbanizável em Ribeira Bote passou de 1.800.000 para 3.200.000 CVE em cinco anos.
O peso da renda no orçamento familiar
Um casal jovem gasta entre 35% e 45% dos seus rendimentos em habitação.
A autoconstrução como saída
Os jovens recorrem à autoconstrução faseada em terrenos da família.
A emigração, sempre presente
A emigração temporária continua a ser a via mais rápida para juntar capital.
Ribeira Bote, de bairro periférico a zona em expansão
O que há pouco mais de uma década era um bairro periférico do Mindelo, com escassa urbanização, transformou-se numa das zonas de maior crescimento residencial da ilha, atraindo tanto famílias jovens como pequenos promotores locais. Este crescimento foi acompanhado por uma melhoria progressiva dos acessos e dos serviços básicos, o que, por sua vez, reforçou a valorização do solo na zona.
O testemunho de uma geração que não consegue sair de casa dos pais
Vários jovens do Mindelo ouvidos são unânimes: apesar de terem emprego estável, não conseguem juntar as poupanças necessárias para aceder a um crédito à habitação em condições razoáveis. Muitos permanecem em casa dos pais para além dos trinta anos, ou partilham uma casa arrendada com outros jovens em situação semelhante, uma prática cada vez mais comum nos bairros periféricos da cidade.
Comparação com outras cidades do arquipélago
O fenómeno faz lembrar aquele que atravessam os jovens de Espargos, na ilha do Sal, onde os salários do setor turístico também não conseguem acompanhar o ritmo dos preços da habitação. No Mindelo, porém, a economia assenta menos no turismo e mais no comércio e nos serviços portuários, o que faz com que o problema do acesso à habitação tenha raízes algo diferentes, ainda que o resultado final seja semelhante.
Remessas dos emigrantes, um balão de oxigénio
As remessas enviadas por familiares emigrados continuam a ser, para boa parte das famílias do Mindelo, um complemento decisivo para conseguir suportar a autoconstrução faseada de uma casa ou o pagamento de uma renda cada vez mais elevada. Sem esse apoio vindo do exterior, concordam vários agentes imobiliários locais, uma proporção ainda maior de jovens ver-se-ia obrigada a adiar indefinidamente qualquer projeto de casa própria.



