Horta encarece ao ritmo dos veleiros: a escala atlântica dispara a procura de casa no Faial
O Faial vive um paradoxo pouco frequente entre as ilhas açorianas: o seu mercado imobiliário não responde tanto ao turismo de sol e praia como ao trânsito de veleiros que fazem escala no seu famoso porto antes ou depois de atravessar o Atlântico. Essa singularidade está a transformar o mercado da habitação na Horta, segundo fontes do setor imobiliário local.
Preços que se aproximam dos do continente
O preço médio da habitação usada na Horta situa-se já em torno dos 1.900 euros por metro quadrado, com subidas homólogas de dois dígitos nas zonas próximas da marina, de acordo com os principais portais imobiliários. São níveis que até há pouco tempo se associavam apenas a São Miguel.
Compradores estrangeiros que decidem ficar
Norte-americanos, alemães e franceses que completam a travessia atlântica e descobrem a ilha durante semanas de escala figuram entre os compradores mais ativos, segundo agentes imobiliários locais. Muitos adquirem uma casa antiga de pedra basáltica como segunda habitação ou para se instalarem de forma permanente, atraídos pelo ambiente marítimo e pela comunidade internacional já enraizada em torno do porto.
Um parque habitacional pequeno e disperso
A Horta tem um stock residencial limitado, formado em boa parte por casas antigas cuja reabilitação sai cara, e concorre ainda com o alojamento turístico orientado para velejadores e visitantes de passagem. Essa dupla pressão reduz ainda mais a oferta disponível para residência permanente, assinalam fontes municipais.
Famílias locais frente ao poder de compra estrangeiro
Os salários médios do Faial seguem os parâmetros gerais dos Açores, muito abaixo do poder de compra de quem chega de economias mais fortes, o que empurra parte da juventude faialense para procurar casa mais acessível em freguesias do interior ou mesmo para emigrar para São Miguel ou para o continente.
Respostas da autarquia
A Câmara Municipal da Horta estuda endurecer os critérios de concessão de novas licenças turísticas na envolvente da marina e reativou programas de recuperação de habitação devoluta, numa tentativa de travar a conversão de casas de residência permanente em alojamento para visitantes de passagem.



