O ferry Lobo Marinho, a infraestrutura que mais pesa no preço da habitação do Porto Santo
Quase tudo o que se constrói chega antes pelo ferry Lobo Marinho ou pelo aeroporto do Porto Santo.
Um único barco, um estrangulamento
Qualquer contratempo pode atrasar semanas a chegada de materiais de obra.
O avião, alternativa cara e limitada em volume
Fica reservado a peças pequenas ou urgentes, não a materiais a granel.
Um fator que também afeta a procura
A incerteza quanto aos lugares disponíveis trava compradores que ponderam instalar-se de forma permanente.
Uma única artéria para toda a ilha
O Lobo Marinho é, há anos, o principal meio de transporte de mercadorias e materiais de construção entre a Madeira e o Porto Santo, dada a escassa capacidade de carga do aeroporto local. Qualquer ocorrência técnica, meteorológica ou de manutenção do navio repercute-se de imediato nos calendários de obra de toda a ilha, algo que construtores e promotores dão como certo ao planear os seus projetos. Esta dependência de uma única linha marítima faz do Porto Santo um caso singular mesmo dentro do contexto insular do arquipélago da Madeira.
O aeroporto, uma via complementar mas insuficiente
O aeroporto do Porto Santo permite transportar peças pequenas ou materiais urgentes, mas a sua capacidade de carga é muito limitada face às necessidades de uma obra de construção convencional, que exige grandes volumes de cimento, aço ou blocos. Os construtores ouvidos explicam que recorrer ao transporte aéreo só é viável em situações pontuais, dado o seu custo muito superior ao do transporte marítimo. Esta limitação reforça ainda mais a dependência estrutural do ferry para qualquer projeto de alguma envergadura.
Um fator de custo que se reflete em cada projeto
Promotores locais calculam que a logística marítima pode acrescentar um sobrecusto relevante ao orçamento final de qualquer construção no Porto Santo, em comparação com projetos semelhantes na Madeira. Este fator acaba por refletir-se no preço de venda da habitação nova, contribuindo para manter os valores imobiliários da ilha em níveis elevados apesar da reduzida dimensão do mercado. Melhorar a frequência ou a capacidade do ferry é considerado, entre os profissionais do setor, uma das alavancas mais diretas para moderar estes custos.



