Fajã de Baixo, o bairro histórico de Ponta Delgada onde a gentrificação começa a fazer-se sentir
De bairro de passagem a bairro na moda
Fajã de Baixo atrai compradores pelos preços mais baixos e pela proximidade a pé da zona velha.
Obras que mudam a fisionomia das ruas
Casas modestas são compradas, recuperadas e voltam ao mercado a um preço sensivelmente superior.
Moradores de sempre, entre a oportunidade e a preocupação
Os inquilinos mais idosos enfrentam o risco de aumentos de renda que nem sempre conseguem suportar.
Um termómetro do mercado da capital
O que acontece em Fajã de Baixo indica para onde caminha o mercado de Ponta Delgada.
O papel dos compradores estrangeiros
Agentes imobiliários de Ponta Delgada assinalam que uma parte crescente dos negócios em Fajã de Baixo corresponde a compradores estrangeiros, na sua maioria oriundos de outros países europeus que procuram uma segunda habitação com boa ligação aérea ao continente. Estes compradores tendem a privilegiar casas de traça tradicional e com quintal próprio, um tipo de imóvel ainda relativamente acessível nesta freguesia quando comparado com o centro histórico. A sua presença contribuiu para normalizar preços que há poucos anos eram considerados próprios apenas da zona velha.
A junta de freguesia, entre a promoção e a cautela
A junta de freguesia de Fajã de Baixo reconhece que a chegada de novos residentes trouxe consigo a reabertura de algum comércio de proximidade, mas admite preocupação com o ritmo das transformações. Fontes da junta explicam que se está a estudar, em conjunto com a câmara municipal de Ponta Delgada, se convém introduzir algum mecanismo de proteção para os inquilinos mais idosos. Para já não existe qualquer medida concreta em curso, para além do acompanhamento do fenómeno.
Preços que começam a aproximar-se dos do centro
Os últimos dados dos portais imobiliários mostram que a diferença de preço por metro quadrado entre Fajã de Baixo e o centro histórico de Ponta Delgada se reduziu de forma notória nos últimos exercícios. Há poucos anos essa distância ultrapassava largamente os mil euros por metro quadrado nas zonas mais procuradas da zona velha. Os agentes contactados apontam que, a manter-se a tendência, o bairro deixará em breve de ser uma alternativa económica ao centro.
Um fenómeno que se estende a outras freguesias vizinhas
O interesse por Fajã de Baixo começa a projetar-se também sobre freguesias vizinhas, onde compradores que já não encontram oferta acessível no bairro procuram opções semelhantes. Este efeito de deslocação preocupa os movimentos de moradores, que receiam a repetição do mesmo processo de encarecimento num raio cada vez mais amplo em redor da capital. A atenção de proprietários e agências dirige-se agora para estas zonas de transição, vistas como a próxima frente de valorização.



