Dezenas de casas de emigrantes permanecem fechadas todo o ano no Corvo
O peso da emigração na paisagem urbana
Uma parte significativa das casas pertence a famílias emigradas nos Estados Unidos e no Canadá.
Casas que abrem em agosto e fecham em setembro
As famílias regressam durante as festas de agosto e fecham a casa no final do verão.
Porque não se vendem nem se arrendam
A resistência a vender tem pouco que ver com a rentabilidade e muito com o valor sentimental.
Um parque habitacional fantasma
No papel existem mais casas do que residentes permanentes, mas a maioria não está disponível.
O legado de uma emigração que marcou a ilha
A emigração para os Estados Unidos e para o Canadá, intensa durante boa parte do século vinte, deixou uma marca profunda na paisagem residencial do Corvo. Muitas famílias mantiveram a propriedade das suas casas, transmitidas depois a filhos e netos já nascidos fora da ilha. Este vínculo à distância explica a elevada proporção de casas fechadas durante a maior parte do ano.
Agosto, o mês em que a ilha recupera vida
Todos os anos, em agosto, a par das festas em honra do padroeiro, dezenas de casas recuperam durante algumas semanas a sua função original com o regresso das famílias emigradas. Este retorno sazonal multiplica temporariamente a população e reanima o pequeno comércio local. Passadas as festas, as casas voltam a fechar até ao verão seguinte.
Porque o valor sentimental pesa mais do que o preço
Agentes que já tentaram mediar alguma venda reconhecem que o argumento económico pouco pesa face à resistência emocional dos proprietários. Para muitas famílias, vender a casa equivaleria a cortar o último laço formal com a ilha de origem. Esta atitude mantém-se mesmo quando o imóvel se degrada ao longo dos anos sem uso.
Um parque fantasma que distorce as estatísticas
Os censos registam no Corvo um número de casas bastante superior ao de residentes permanentes, o que distorce qualquer análise convencional do mercado. Técnicos que estudam a habitação nos Açores alertam para o facto de este desajuste dificultar o cálculo do preço médio real. Enquanto se mantiver o padrão de emigração e de regresso sazonal, a anomalia continuará a fazer parte da paisagem insular.



