Compradores estrangeiros pagam acima do preço por casas rurais de São Jorge ligadas à produção do queijo D.O.
Mais do que uma casa: uma exploração
Compradores europeus e norte-americanos pagam acima do preço por quintas com ligação à produção de queijo.
O apelo da marca D.O.
As quintas com pastagens de altitude média, as mais apreciadas, são anunciadas com um prémio no preço.
Um mercado com poucas unidades
O número de propriedades mistas que chegam ao mercado todos os anos é muito limitado.
Preocupação entre os produtores locais
Pede-se que os novos proprietários mantenham o uso agrícola dos terrenos.
O queijo que deu fama à ilha
O queijo de São Jorge, feito com leite cru de vaca e curado durante vários meses, tem Denominação de Origem Protegida desde os anos noventa e é um dos produtos agroalimentares mais reconhecidos de todos os Açores. O seu fabrico artesanal, associado a pastagens de altitude média e a um clima húmido muito particular, nunca foi replicado fora da ilha com o mesmo resultado. Esta singularidade transformou as explorações queijeiras num activo com projecção para lá do próprio negócio agrícola. O prestígio da marca funciona como chamariz directo para compradores que procuram algo mais do que uma simples casa de campo.
Uma paisagem de currais e pastagens de altitude
As quintas mais cobiçadas combinam casa tradicional, anexos pecuários e parcelas de pastagem delimitadas pelos característicos muros de pedra que protegem o gado do vento atlântico. Esta paisagem, muito fotografada e associada à imagem turística da ilha, acrescenta um valor difícil de quantificar, mas bem presente nas negociações. Os próprios vendedores locais costumam destacar a altitude e a exposição das pastagens como principal argumento de venda. A combinação de paisagem e produção de queijo é particularmente atractiva para compradores que procuram um projecto de vida rural com retorno económico.
O receio da transformação em segunda habitação
Produtores locais manifestam inquietação perante a possibilidade de algumas destas quintas acabarem convertidas em segundas habitações sem actividade pecuária real, o que reduziria progressivamente a área dedicada à produção de leite certificado. Esta preocupação já chegou às associações de produtores de queijo, que receiam um efeito de substituição semelhante ao vivido noutras zonas rurais europeias de forte atractividade turística. A confirmar-se essa tendência, avisam, poderá ficar comprometido a médio prazo o volume de leite disponível para a Denominação de Origem. O debate opõe o interesse económico imediato dos vendedores à sustentabilidade do sector a longo prazo.
Medidas para proteger o uso agrícola
Algumas cooperativas de produtores de queijo propuseram incluir cláusulas de manutenção da actividade agrícola nos contratos de compra e venda de quintas mistas, embora a sua aplicação prática seja complexa depois de formalizada a transmissão. Outras propostas apontam para a criação de um direito de preferência a favor dos produtores locais antes de uma quinta chegar ao mercado aberto. Nenhuma destas medidas tem ainda enquadramento legal firme por parte das autoridades regionais açorianas. Entretanto, o número de quintas que juntam casa e exploração queijeira continua a ser limitado e muito procurado.



