Sexta-feira 28 de Agosto de 2026 Macaronesia

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Compradores estrangeiros disputam as antigas casas dos armadores baleeiros das Lajes do Pico

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

Compradores estrangeiros disputam as antigas casas dos armadores baleeiros das Lajes do Pico
Foto: José Luís Ávila Silveira / Pedro Noronha e Costa / Wikimedia Commons (Domínio público)

Um património baleeiro que agora se vende como habitação de luxo

As Lajes do Pico conservam casas de armadores e capitães baleeiros com cantaria de pedra do século XIX.

O perfil do comprador que chega de fora

Compradores da Europa Central e da América do Norte assumem obras de reabilitação em troca de carácter histórico.

Reabilitações que reativam ofícios locais

A compra destas casas reativa ofícios de cantaria e carpintaria tradicional quase em desuso.

O risco de afastar os moradores de sempre

Os residentes de sempre têm cada vez mais dificuldade em aceder a estas mesmas casas.

Um património ligado à memória baleeira

As Lajes do Pico foram durante gerações um dos principais portos baleeiros do arquipélago açoriano, uma atividade que deixou atrás de si um conjunto singular de casas senhoriais construídas por armadores e capitães com a pedra vulcânica caraterística da ilha. Boa parte deste património manteve-se durante décadas nas mãos das mesmas famílias, até que a mudança de geração e o interesse de compradores estrangeiros começaram a alterar esta situação.

O atrativo para o comprador internacional

Compradores vindos da Alemanha, dos Países Baixos e dos Estados Unidos valorizam sobretudo o carácter histórico destas casas, com fachadas de cantaria trabalhada e distribuições interiores próprias da arquitetura do século XIX. Muitos deles assumem de forma consciente o custo e a complexidade de uma reabilitação integral, em troca de preservarem um imóvel com um carácter difícil de encontrar noutras zonas do arquipélago.

Um impulso para os ofícios tradicionais

A procura de reabilitações fiéis ao estilo original reativou ofícios como a cantaria e a carpintaria tradicional, praticamente em desuso na ilha até há poucos anos. Mestres artesãos que noutros tempos teriam tido de emigrar para encontrar trabalho especializado têm agora encomendas ligadas diretamente a este tipo de reabilitação patrimonial.

O outro lado da valorização

O interesse internacional por estas casas históricas fez subir também o seu preço de venda, o que dificulta que famílias locais com ligações de gerações a estas casas as possam comprar quando chegam ao mercado. Moradores das Lajes do Pico admitem sentimentos contraditórios perante este fenómeno: por um lado, veem com satisfação que o património se conserve e valorize; por outro, receiam que o centro histórico acabe maioritariamente nas mãos de proprietários não residentes.