Sexta-feira 28 de Agosto de 2026 Macaronesia

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Sao Vicente

Arranca a reabilitação de fachadas coloniais no centro portuário do Mindelo

Euroinmobiliaria® · · 2 min de leitura

Arranca a reabilitação de fachadas coloniais no centro portuário do Mindelo
Foto: Manuel de Sousa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Um património arquitetónico em risco

A antiga Alfândega é exemplo de um conjunto que necessita de intervenção urgente.

Primeiras obras de reabilitação

Os orçamentos rondam os 9.000.000 CVE por edifício de dimensão média.

Entre a conservação e a rentabilidade turística

Os edifícios restaurados podem multiplicar o seu preço de venda ou de arrendamento.

O desafio de não expulsar os moradores

Receia-se um processo de gentrificação incipiente no centro histórico.

O legado arquitetónico do porto franco

O Mindelo conserva um conjunto singular de arquitetura colonial ligado à sua etapa como porto franco e centro de escala para navios que atravessavam o Atlântico no início do século XX. Edifícios como a antiga Alfândega refletem esse período de intensa atividade comercial, com fachadas de cantaria e varandas de ferro caraterísticas da época. Com o declínio dessa atividade portuária tradicional, muitos destes imóveis ficaram subaproveitados ou mesmo abandonados. Historiadores locais consideram que o centro do Mindelo mantém um dos conjuntos coloniais mais bem preservados do arquipélago, apesar da degradação atual.

Quem financia as primeiras obras

As primeiras reabilitações em curso combinam capital privado, nalguns casos vindo de cabo-verdianos emigrados, com linhas de apoio pontuais da cooperação internacional interessadas na conservação do património colonial atlântico. A Câmara Municipal de São Vicente facilitou alguns trâmites urbanísticos para acelerar as intervenções em edifícios classificados. Os orçamentos, que rondam os 9.000.000 CVE para um edifício de dimensão média, limitam o número de proprietários capazes de avançar com as obras sem apoio externo. Por isso, o ritmo de recuperação do conjunto histórico continua lento face ao volume total de edifícios a precisar de intervenção.

Uma valorização que preocupa

À medida que se concluem as primeiras reabilitações, os preços de venda e de arrendamento dos imóveis do centro histórico começaram a subir de forma percetível, atraindo o interesse de investidores virados para o alojamento turístico. Comerciantes tradicionais da zona manifestam preocupação com o encarecimento dos espaços comerciais nas ruas mais próximas do porto. Alguns moradores de sempre já começaram a ponderar a hipótese de vender, perante as propostas recebidas. Coletivos culturais do Mindelo pedem que a valorização do centro não se traduza na perda do seu tecido social original.

À procura de um modelo equilibrado

Técnicos municipais estudam fórmulas para compatibilizar a reabilitação do património com a permanência dos atuais residentes, entre elas linhas de apoio específicas para proprietários de baixos rendimentos que queiram restaurar a sua casa sem serem obrigados a vender. Outras cidades portuárias de tradição colonial no Atlântico enfrentaram dilemas semelhantes, com resultados desiguais consoante o caso. A Câmara Municipal defende que o objetivo deve ser um centro histórico vivo e não um cenário vazio de residentes permanentes. O desfecho deste processo, segundo os próprios responsáveis municipais, dependerá em grande medida das próximas decisões de planeamento urbano.