O Valle de Aridane não encontra casa para os trabalhadores sazonais da bananeira
O motor económico da ilha, sem casa para a sua mão de obra
A cultura da banana das Canárias continua a ser o principal motor económico do Valle de Aridane, a faixa que se estende entre Los Llanos de Aridane, Tazacorte e El Paso. Mas fontes do setor agrícola insular alertam para o facto de a falta de habitação acessível na região dificultar cada vez mais a contratação de trabalhadores sazonais e permanentes, muitos deles vindos de fora da ilha.
Explorações que fazem de senhorio por necessidade
Perante a escassez de arrendamento acessível, várias explorações bananeiras da zona optaram por adaptar antigas construções agrícolas ou pequenas casas dentro dos seus próprios terrenos para alojar os trabalhadores, segundo descrevem fontes do setor primário. Esta solução alivia o problema apenas em parte, mas não resolve a falta de oferta de arrendamento normalizado em localidades como Tazacorte ou o próprio Los Llanos de Aridane.
A concorrência do alojamento turístico e residencial
Os portais imobiliários que acompanham o mercado da região explicam que os proprietários locais preferem cada vez mais destinar as suas casas ao alojamento turístico de curta duração ou ao arrendamento residencial convencional, muito mais rentáveis do que arrendar a trabalhadores temporários durante a campanha da banana, o que reduz ainda mais o parque disponível para o setor primário.
Organizações agrárias pedem habitação ligada ao emprego agrícola
Organizações agrárias da ilha transmitiram ao Cabildo de La Palma a necessidade de estudar fórmulas de habitação pública ligada ao emprego agrícola no Valle de Aridane. Para já, segundo fontes do setor, a proposta encontra-se em fase de estudo, sem qualquer intervenção concreta aprovada.
Trabalhadores extracomunitários, os mais afetados
Fontes do setor agrícola assinalam que os trabalhadores extracomunitários contratados para a campanha da banana são os que mais dificuldades encontram no acesso a um arrendamento convencional, tanto pela escassez de oferta como pelas reticências de alguns proprietários. Esta circunstância, alertam as organizações agrárias, empurra muitos sazonais para soluções habitacionais precárias ou para a sobrelotação das poucas casas disponíveis dentro das explorações.
O Cabildo de La Palma, entre a habitação e a agricultura
O Cabildo de La Palma reconhece a dificuldade de conciliar duas prioridades que competem pelo mesmo solo e pelos mesmos recursos: a proteção da cultura da banana e a necessidade de habitação para quem a sustenta com o seu trabalho. Fontes da corporação insular admitem que qualquer solução definitiva exigirá coordenação entre diferentes administrações, incluindo possivelmente o Governo das Canárias, sem que exista ainda um calendário claro para abordar o problema.



