O vale dos Flamengos impulsiona a reabilitação de casas de pedra basáltica em detrimento da construção nova
Reabilitar compensa mais do que construir de raiz
O custo de reabilitar continua a ser inferior ao de construir de novo no fundo do vale.
Um património limitado e cada vez mais disputado
As casas de pedra em bom estado sobem de preço acima das construções recentes.
Procura por parte de descendentes de emigrantes
Boa parte da procura vem de descendentes que regressam para recuperar a casa de família.
Um vale cada vez mais visitado
As visitas às casas antigas do vale multiplicaram-se nos últimos anos.
Um património erguido em pedra vulcânica
As casas tradicionais do vale dos Flamengos foram erguidas com a pedra basáltica extraída do próprio terreno, uma técnica construtiva característica de boa parte do Faial. Este tipo de construção é hoje mais dispendioso de reproduzir em obra nova do que de restaurar, quando o estado original se conserva razoavelmente bem. Os arquitectos locais destacam ainda o valor térmico destas paredes espessas face às soluções construtivas actuais.
O regresso dos descendentes de emigrantes
O Faial tem uma diáspora numerosa nos Estados Unidos e no Canadá, e boa parte dos seus descendentes mantém laços familiares com o vale dos Flamengos. É cada vez mais frequente que estas famílias regressem periodicamente para investir na reabilitação da casa dos avós ou bisavós. Este movimento repete um padrão comum noutras ilhas açorianas com forte tradição emigratória.
Comparação com outros vales do arquipélago
Face a vales semelhantes de São Miguel ou do Pico, o dos Flamengos mantém um carácter mais recatado e menos percorrido pelo turismo de massas, o que, segundo os agentes locais, facilita processos de reabilitação mais respeitadores do património original. Esta menor pressão turística é bem vista pelos proprietários que procuram recuperar a casa de família sem a transformar por completo em alojamento comercial.
O desafio de preservar a técnica construtiva
Os mestres de obra especializados em pedra basáltica escasseiam na ilha, o que encarece qualquer reabilitação que pretenda respeitar a técnica original. Algumas famílias optaram por formar jovens canteiros locais para não dependerem de mão-de-obra deslocada de fora do Faial. Esta aposta em manter o ofício vivo é considerada decisiva para o futuro do próprio vale.



